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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Direito à comunicação

O direito à comunicação é o direito de todo cidadão de se informar e de informar. Falar em direito à comunicação é, sem dúvida, falar em promover um desenvolvimento sustentável da democracia nacional. É promover o acesso aos meios de produção, propiciar estímulo e potencializar o potencial criativo da população. É um direito inalienável, pois se trata da expressão humana que muitas vezes é adormecida em decorrência dos processos de exclusão sócio-econômica.

A comunicação também é uma grande ferramenta de participação social, pois ela, aliada a processos democráticos de produção e circulação de conhecimentos, contribui de maneira decisiva para que as populações tenham assegurado os seus direitos de serem ouvidas, assim como de ouvirem uma diversidade de vozes e para que tenham assegurado seu direito de decidir sobre as esferas da vida pública e privada com a consciência da variedade de interesses e prioridades em jogo.

Hoje a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos. A luta ainda continua!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Profissão repórter 1

Durante esta semana, vou postar aqui fotos de futuros jornalistas angolanos, ora meus alunos, ora alunos de alunos. Todos ativistas e agentes de seu próprio desenvolvimento.

Zinilda, aluna de Jesse e de Edson, meus pupilos queridos!

domingo, 23 de novembro de 2008

Dia da Consciência Negra

No último dia 20, comemoramos aqui no Brasil o Dia da Consciência Negra. Para mostrar um pouco da cultura africana para alguns amigos, resolvi fazer um jantarzinho em casa com o prato africano que conheço que mais gosto: matapa de couve com arroz de côco. Eu comia esse prato na escola onde dava aula, em Beira, Moçambique. Comi também alguns vezes no orfanato onde trabalhei. A matapa original, como na receita abaixo, é feita com camarão. Mas, por questões econômicas, a escola e o orfanato não compravam camarões. Por isso, resolvi fazer a matapa sem camarão também, que é a matapa que eu conheço e que me traz ótimas recordações.
Receita da Matapa
Ingredientes:
750 gramas de Amendoim cru
1 côco
1 kg de camarão seco ou caranguejo
1 kg de folhas de mandioca ou couve
2 litros de água
sal a gosto

Modo de preparo:
Pila-se o amendoim até ficar em pó e dissolve-se emcerca de meio litro de água. (sem a casca)Rala-se a polpa de coco e espreme-se num passador,juntando o pouco e pouco o restante litro e meio deágua de forma a extrair todo o leite ao coco. Junta-seeste leite de coco à água com o amendoim. Migam-se asfolhas de mandioca ou couve da grossura de pouco maisou menos de 2 cm. Cozinham-se as folhas de mandioca(sem água) durante meia hora. Se forem folhas decouve, acrescenta-se uma pequena porção de água paraque fiquem bem tenras.Num tacho, leva-se ao lume a mistura de leite de cococom a água de amendoim, e quando começa a ferver,juntam-se-lhe as folhas de mandioca ou couve etempera-se de sal. Por fim, juntam-se os camarões ou caranguejos já preparados e cozinhados e deixa-seapurar uma hora e meia em fogo brando.


Receita de arroz de côco
Ingredientes:
400 gramas de arroz branco e lavado;
600 ml de leite de coco;
Sal;

Modo de Preparo:
Coloque o arroz no fogo com pouca água e quando estiver pré-cozido acrescente o leite de coco e o sal a gosto e espere cozinhar; não esquecendo de mexer para não queimar.


Aí acima está o prato do dia: arroz de côco, matapa e caldo de pimenta com manga, receita que também aprendi em Moçambique.

A aparência pode não ser tão convidadativa. Acho que foi por isso que todos os presentes, sem exceção, disseram que não estavam com fome antes de provar.

Depois da primeira garfada, todos repetiram. Ainda bem!


video

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Quintas de Debates

A 5 de Setembro de 2008, realizaram-se as segundas eleições legislativas em Angola. As urnas deram a maioria ao MPLA, com mais de 80% dos votos.

O desequilíbrio político-partidário resultante e o novo figurino da Assembleia Nacional, traz grandes desafios à Sociedade Civil (SC) angolana.

Entender o que aconteceu nas últimas eleições e o que deverá ser feito a partir de agora para a consolidação de um verdadeiro processo democrático, obriga-nos a alargar o espaço de debate e de participação popular.

As instituições da SC devem assim, assumir-se perante o quadro político, incentivando a criatividade crítica, o diálogo, a abordagem honesta e actualizada.

Com a ideia de estimular o espaço de debate, o OMUNGA em colaboração com outras instituições da SC, decidiram levar a cabo um programa de debates consecutivos que terá o seu início a 13 de Novembro.

QUINTAS DE DEBATES pretende juntar diferentes visões sobre temas da actualidade como política, economia e sociedade.

Visite o blog do Quintas de Debates e participe!

sábado, 8 de novembro de 2008

Em construção...

Não dá para andar em Luanda sem esbarrar em alguma obra:



A grande dúvida, no entanto, é se a maioria da população vai poder usufruir ou como irá usufruir do desenvolvimento econômico do país.
As imagens abaixo são de condomínios recém-inaugurados em Luanda, no estilo Alphaville de ser. Não sei se é verdade, mas ouvi boatos que várias das casas são abastecidas por caminhões que carregam água mineral. Detalhe: essa água não seria apenas para beber e cozinhar. Seria água para tomar banho, regar as plantas... Será que é verdade mesmo?




Sabe que essa forma desordenada e excludente de Luanda crescer me lembra Brasília! Essas casas aí de cima poderiam estar no setor de Mansões Isoladas, por exemplo.


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Vida de voluntária - mais um diário de bordo

Escrevi o email abaixo em junho de 2003, quando ainda estava na Europa, me preparando para ser voluntária em Moçambique. É mais um capítulo da vidinha de voluntária.

Oi, pessoal, tudo bem? Ja se foram tres meses,e e por isso que meu terceiro diario de bordo esta aqui, fresquinho para cada um de voces. Estou em Copenhague, na Dinamarca, onde vou morar por um mes. Estou dando aulas para refugiados do Iraque, da Somalia e do Ira. Esta sendo uma experiencia muito boa e, o melhor,ainda ganho pra isso. So que o dinheiro vai todo para a minha viagem para a Africa. Fazer o que, ne? Volto para a Inglaterra no fim de junho. Vim para ca para participar de um campeonato de teatro eresolvi ficar (Para quem nao lembra, sou tambem atriz agora). A peca foi Lysistrata, de Aristofanes. Conta a historia de algumas mulheres gregas que decidiram fazer greve de sexo para que seus maridos deixassem de participar da guerra. E uma comedi a muito engracada.Meu personagem era Ismenia, uma mulher que tentou fugir da Acropoles,local onde a ala feminina se reuniu durante a greve, fingindo que estava gravida. A peca estava muito boa. Ficamos em terceiro lugar.

A Dinamarca e muito bonita - e limpa, acima de tudo. Quando cheguei,fiquei em Juesmilde. E uma cidadezinha tao limpa que passou pela minha cabeca a necessidade de ter de tirar o sapato para pisar na rua. Mas agora ja estou mais acostumada. Aqui quase todo mundo fala ingles e tem uma bicicleta. Tentei dar uma volta por Copenhague em uma bike gratis que os turistas podem utilizar, mas nao deu: minhas pernas sao muito curtas para as bicicletas de gigantes que eles tem aqui. Culpa dos baixinhos la de casa. Nesse ultimo mes, muita coisa aconteceu. Fui para Londres, fiz o teatro, li alguns livros sobre Mocambique, trabalhei para o British Council. Londres, alias, e uma cidade maravilhosa. Cidade grande, cheia de historia, onde e possivel encontrar gente de todo o mundo. Como era de se esperar, o clima de guerra era inexistente. A cidade e tranquila, ainda mais se comparar com quem esta acostumado a Sao Paulo. Os guardas nao andam nem com arma de fogo. No fim de junho e comeco de agosto vou tirar ferias. Dai vou aproveitar para dar uma passeada pela Italia,Espanha, Portugal, Franca e Belgica. Ja sei que voces devem estar seperguntando como, onde, porque etc. Aqui na ONG todo mundo tem direito a ferias de sete dias. Mas, sou brasuca, e consegui dar uma prolongada. Vou num esquema bem barato se comparado com o padrao continental: aviao com desconto, onibus, trem. Durmo em albergues e entro nas atracoes na faixa com a apresentacao da carteira dejornalista. >Minha vida deve estar parecendo uma maravilha. Mas nao e nao. Ja tive alguns choques culturais como ter de pagar para ir ao banheiro dentro de um shopping center em Liverpool, nao ver mendingona rua na Dinamarca, e ter de acordar as 6h da manha para dar aula.Mas esses sacrificios compensam. Sempre tenho saudades das farras noBrasil, da carne, do clima. O tempo em Copenhague na semana passada estava excelente. Deu ate para lembrar do Nordeste. Um calorao de 18a 20oC e sol. Peguei uma praia. Estou super bronzeada.

Tenho de ir agora. Escrevam contando as novidades. Leio todos os e-mails. Quando voces vem me visitar?

Beijao, Mirella

sábado, 1 de novembro de 2008

Duty free shop na Unesco

Estou eu na minha sala na sede da Unesco em Paris quando escuto a menina que trabalhava comigo comentar que o duty free shop estava com algumas promoções. Eu, ingenuamente, fiquei pensando: será que ela está falando do duty free do aeroporto? Mas daí ela continua: "dei um pulo lá na hora do almoço". Ué, pensei eu, fingindo que não estava escutando a conversa alheia.

Alguns dias depois, há cerca de um ano, minha chefe comenta comigo que eu deveria comprar o vinho da Unesco para levar para a minha família. "Mirella, aqui é o único lugar do mundo onde você pode comprar esse vinho. Ele é ótimo e é bem barato." E um balãozinho saía da minha cabeça: "vinho da Unesco? Será que dão para os funcionários no Natal?". Eu conhecia a lojinha da Unesco, onde é possível comprar as publicações da organização, canetas, selos e lembrancinhas. Com certeza a lojinha não é administrada por nenhum brasileiro, já que não vi nada com os dizeres "estive na Unesco e lembrei de você".

Mas, voltando ao assunto, tive que perguntar a Anna Maria, a chefe: "Mas onde eu encontro esse vinho da Unesco?." A resposta me pegou de surpresa: "No duty free da Miollins". Miollins é o endereço de outro prédio da sede da Unesco, em Paris. Sim, isso mesmo, dentro da Unesco há um duty free shop onde os funcionários podem comprar coisas que se vendem em um duty free de aeroporto: cremes, bebidas, eletrônicos e outros trecos, além de garrafas de vinho com o rótulo da Unesco. Será que você, leitor, está pensando o mesmo que pensei naquele momento? Não acredita?

Eu tive que ir ao duty free para ver com meus próprios olhos. Eu não acreditava - ou não queria acreditar - que havia um duty free em um lugar como a Unesco e muito menos que havia garrafas de vinho produzidas especialmente para a organização. Mas é verdade. Fui ao duty free e estava bombando. Várias carinhas conhecidas dos corredores da Unesco passam por lá diariamente. São os mesmos que tomam decisões que afetam a vida de milhares de pessoas no mundo todo. Não que eu ache que uma pessoa que trabalha com desenvolvimento tenha que se privar de fazer compras, por exemplo. Mas as compras não precisam estar lá escancaradas no ambiente de trabalho, no horário de trabalho, e ainda sem a cobrança de impostos. Vi gente literalmente "limpando" a ala das bebidas. Época de Natal, só mesmo tomando muito vinho da Unesco para comemorar. O pior é que tenho que confessar que comprei uma garrafa de vinho. Tinha que mostrar para minha família que não estava inventando história. Paguei uns 15 euros, se não me engano, o que não é tão barato assim para um vinho na França, como minha chefe me havia dito. Mas deve ser porque ela é chefe na Unesco e, quem conhece os salários da ONU, sabe que 15 euros é dinheiro de pinga!


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O dia em que conversei com o presidente do Malauí

Seria um dia qualquer de abril de 2004, se eu não tivesse conseguido uma entrevista exclusiva com o então presidente do Malauí, Bakili Muluzi. Conhecido por não dar entrevista, dentre outros atributos como corrupto e autoritário, Muluzi estava em Blantyre, capital econômica do país, para o lançamento de sua estação de rádio. O evento aconteceu poucos dias antes das eleições gerais, a terceira da história do país. Claro que o candidato apoiado por Muluzi, Bingu wa Mutharika estava lá. Qualquer semelhança com a campanha no Brasil é pura realidade!

Enfim, antes do evento, aproveitei para entrevistar Mutharika, lá mesmo no palco, enquanto ele aguardava a chegada de Muluzi. Eu havia conseguido agendar a entrevista depois de muita insistência com o assessor dele. Até aquele momento, Mutharika não havia falado para nenhum jornalista que não fosse da mídia estatal. Mas nada que muita insistência, sotaque, o passaporte verde (é o de brasileira mesmo) e a falta de equidade de gênero não resolva. Também usei de chantagem. Afinal, havia entrevistado todos os candidatos à presidência do Malauí, menos Mutharika.

A entrevista acabou quando centenas de mulheres vestidas com cangas amarelas estampadas com o rosto de Muluzi e/ou Mutharika começaram a cantar e a dançar. Muluzi estava chegando. As mulheres haviam sido contratadas para alegrar o evento.

Eu fiquei do lado do palco e não tirei o olho de Muluzi nem um só segundo. Queria que ele me visse por lá. Já havia participado de outros eventos de inauguração, dentre eles da Fundação Muluzi, e tinha aplicado a mesma técnica. Sabia que ele iria se lembrar de mim. Afinal, eu era a única jornalista mulher azungu (branca, na língua local chichewa) que cobria as eleições.

Dito e feito. Ao final do evento, Muluzi desceu do palco rumo a seu carro, cercado por seguranças. As mulheres voltaram a dançar e a cantar. Eu fiz aquele tchauzinho básico e disse "- president". Ele parou e me perguntou: "who are you? where are you from? what are you doing here? (quem é você? ´De onde vocè é? O que te traz aqui?". As mulheres imediatamente pararam de dançar e de cantar. O silêncio era absoluto. Respondi às suas perguntas e, munida de um microfone, fiz uma curta, mas substanciosa entrevista. Chris, o câmera, gravou tudo. Trechos da entrevista foram utilizados para a produção do documentário "The Making of a President" (Presidente sob encomenda).

Terminada a entrevista, o fotógrafo da Associated Press vem em minha direção e pergunta: "O que ele falou? Como você conseguiu a entrevista?". Bom, sou da Minibus Media! (rs)

A foto abaixo é do momento da entrevista. Mutharika é o cara de óculos, em segundo plano. Ele também parou para o momento histórico. Note o meu figurino, que gracinha! Meu personal stylist faltou no dia.



terça-feira, 28 de outubro de 2008

Sem direito à identidade!

Só uma nota rápida: o governo angolano está sem cédulas para emissão de passaporte aos angolanos comuns. Ou seja: quem não tem "boas" conexões está com dificuldades de conseguir o passaporte. Engraçado que não houve falta de material na época do registo eleitoral, quando mais de oito milhões se registaram. Será que as cédulas do passaporte também são importadas? E como fica o direito de ir e de vir dos angolanos?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Na Unesco

Há um ano eu estava chegando em Paris, França, para fazer um estágio na Seção de Mulher e Eqüidade de Gênero da Unesco. Lembro da dor de barriga que senti no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, antes do avião partir. A escolha não havia sido fácil. Não sabia se tinha tomado a decisão certa ou não.
Depois de passar um bom tempo fora do Brasil, havia voltado há três meses a viver em São Paulo. Trabalhava há 40 dias em uma ONG, com carteira assinada e tudo, como diria minha mãe. Mas quando surgiu a proposta da Unesco balancei. Havia me inscrito para a vaga em abril de 2007 e nem me lembrava mais, para falar a verdade. Foi quando recebi a notícia via email. Depois fui entrevistada e aceita para a vaga.
Para tornar uma longa história curta, em dois dias tive que tomar a decisão. Pedi demissão, comprei minha passagem, liguei para duas amigas que vivem em Paris e fui. Detalhe: a decisão foi difícil porque, dentre outras cositas, o estágio não era remunerado. Enfim, paguei para ver.
Eu queria muito conhecer uma organização da ONU por dentro, saber como as decisões são tomadas, como é a relação dos Estados membros, qual é o perfil do cara que fica lá no escritório. A oportunidade não poderia ter sido melhor: participei da 34a Conferência Geral da Unesco, evento no qual são tomadas as decisões para as ações e para o orçamento da organização nos próximos dois anos da organização. E não poderia ter sido melhor mesmo: as prioridades da Unesco para o biênio 2008-2009 são África e gênero.
Agora não tenho tempo de escrever sobre a experiência aqui. Mas o farei assim que possível. Só tenho uma coisa a dizer: foi uma das decisões mais acertadas da minha vida. Eu me decepcionei, sim - e muito. Mas valeu muito a pena.
Abaixo, algumas fotos:










segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Que dia feliz!

"What a happy day" (= que dia feliz). Foram essas as primeiras palavras que um senhor malauiano disse ao abrir uma caixa de papelão de uns 30cm de comprimento por uns 15cm de altura. Ele retirava uma a uma as barras de chocolate snickers e kit kat que acabara de receber via correio, enviadas na caixa por uma senhora inglesa, que mora em Londres. O senhor não se cansava de repetir: "what a happy day."

Eu estava no deck de um hotelzinho em Nhakata Bay, no norte do Malauí, à beira do lago Malauí. Já passava das 20h. Eu tinha acabado de comer. Naquele dia, em dezembro de 2003, tinha me dado um presente: comi carne depois de um tempão sem ao menos sentir o cheirinho de bife. Na época, a pesca estava proibida no lago. Eu estava passando as férias no Malauí, enquanto morava em Moçambique. Logo depois do jantar, encontrei o senhor do dia feliz. Lembro disso até hoje. A felicidade dele era tamanha, que aquele momento também foi inesquecível para mim. Não me lembro que idade ele tinha, mas posso dizer que era velho. Se não era, pelo menos aparentava ter mais de 70 anos. Sua única fonte de renda eram os chocolates que ele vendia para turistas, principalmente ingleses, que frequentavam o hotelzinho. O lucro era de 100%, já que ganhava os chocolates de uma inglesa.

Ele me contou que tinha de caminhar mais de três horas para chegar ao hotel. Mas valia a pena. Vendia cada barra de chocolate por cerca de três dólares. Em um país onde mais de 50% da população não recebe nem um dólar por dia, esse dinheiro representa uma pequena fortuna. Se para você é pouco, para o senhor é o suficiente para tornar o seu dia feliz.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Os lavadores de carros na rua

Mais um vídeo-participativo produzido em Angola por funcionários da Adra treinados pela Minibus Media. O assunto agora são os lavadores de carros que trabalham nas ruas de Luanda. Assista aqui.

Para mais informações sobre o projeto, clique aqui.

domingo, 21 de setembro de 2008

O lixo em Luanda

Para conhecer a visão de alguns jovens angolanos sobre o lixo em Luanda, assista ao vídeo sobre o assunto aqui.

O vídeo é resultado de uma formação em vídeo-participativo facilitada pela Minibus Media em Angola este ano. Para mais informações sobre o projeto, clique aqui.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

União Européia divulga relatório preliminar sobre eleições angolanas

A Missão de Observação Eleitoral da União Européia acaba de divulgar seu relatório preliminar:

"Angola consolida o seu compromisso com a paz e dá um passo positivo no sentido do fortalecimento da democracia com o registo de elevados níveis de afluência às urnas durante um acto eleitoral realizado em clima de serenidade o qual, no entanto, revelou debilidades organizacionais e inconsistências de procedimentos no dia das eleições e desigualdades nas condições oferecidas aos partidos políticos concorrentes". Para ler o relatório completo, clique aqui.

Reuters ou SADC, confusões de observadora eleitoral

Uma colega que trabalha para um doador internacional em Angola acaba de me falar sobre os rumores que andam correndo em Luanda entre os doadores e alguns observadores internacionais. Segundo ela, a publicação da declaração da chefe da missão de observação eleitoral da União Européia, de que as eleições tinham sido um desastre, conforme um dos posts deste blog, causaram mal estar dentro da própria missão. Mas a chefe teria se desculpado internamente, dizendo que achou que estivesse fazendo um comentário para um colega observador da SADC. Não sabia o repórter da Reuters estava por perto!

Enfim, eu não estava do lado dela na ocasião para saber se o moço da SADC era a cara do repórter da Reuters ou não. Eu só acho que ela deveria ter sido mais cautelosa nas declarações. Pelo que parece, ela estava se referindo às assembléias que havia visitado. Isso, no entanto, não justifica uma fala irresponsável como aquela.

Ah, e a Plataforma Eleitoral vai publicar seu relatório na quarta-feira. Eles esão esperando reunir todas as informações de seus observadores nas províncias para elaborar o relatório final.

domingo, 7 de setembro de 2008

Imprensa angolana e um lado da história

Na cobertura das eleições, a imprensa angolana continuou a mostrar apenas um lado da história. Enquanto a imprensa internacional reproduzia as críticas da chefe da missão de observadores internacionais da UE, a Angop tinha como chamada de sua homepage "Observadora da UE elogia processo eleitoral". Esse tipo de cobertura dá uma idéia de que a Angop continua a mesma. Quem perde com isso são os angolanos que, por sinal, são o grande exemplo desse processo eleitoral pela votação em massa, pelo civismo.

sábado, 6 de setembro de 2008

Observadores internacionais e a prepotência européia

Mais uma eleição na África e, mais uma vez, as declarações do chefe da missão de observadores da União Européia mostram aquela prepotência dos que acham que sabem tudo. Confira trechos da matéria publicada pela BBC Brasil:

"A chefe da missão de observadores da União Européia (UE), Luisa Morgantini, que chamou o processo de votação de "desastre" na manhã de sexta-feira, neste sábado adotou uma postura mais cautelosa, segundo a agência de notícias AFP.
"Houve problemas (...) Vamos ver o que acontecerá", afirmou, dizendo que não apresentará o relatório oficial da missão da UE até segunda-feira."

Pessoalmente, acho a missão de observação eleitoral da UE a mais preparada e abrangente entre as missões de observadores eleitorais internacionais. A missão se estabelece no país cerca de dois meses antes das eleições, geralmente observadores são enviados para todas as províncias e é feita uma análise criteriosa e minuciosa da legislação eleitoral. O grande problema a meu ver, no entanto, é que a missão de observadores da UE mantém o caráter prepotente (aquele de quem sabe tudo e é dono da verdade). E eu acho que os chefes das missões, pelo menos nas três eleições que acompanhei mais de perto (Malauí, Moçambique e Angola) são despreparados para falar com a imprensa. Acho no mínimo irresponsável uma chefe de missão usar palavras como "desastre" para definir o processo de votação em Angola, ainda mais se levarmos em conta o histórico do país. E o pior é que a imprensa reproduz todas as bobagens faladas, como verdades absolutas.

Isso me lembra muito o que aconteceu em Moçambique em 2004, quando o chefe da missão de observadores da UE declarou que haveria uma grande possibilidade de fraude nas eleições. A votação e a apuração aconteceram e o cidadão teve de voltar atrás, declarando que as "eleições em Moçambique foram justas, livres e transparentes". Sua primeira declaração, no entanto, foi notícia pelo menos nas seis semanas antes da votação, o que poderia ter causado conflito. E a UE que fala tanto em prevenção de conflito...

Por ser a maior missão de observadores internacionais em Angola e a que lá está por mais tempo, a missão da UE é tida como referencia para a imprensa. Pena que a imprensa está se esquecendo que a plataforma eleitoral contou com o apoio de 2500 observadores nacionais. Gostaria muito de conhecer o parecer desses observadores para poder tirar conclusões. Eu, pessoalmente, acho mais legítima a análise dos observadores angolanos que são em maior número e estiveram presentes em áreas não cobertas por internacionais.

Sim, a observação internacional é importante para legitimar o processo. Não tenho dúvida disso. Os europeus realmente conseguiram fazer de sua missão de observação tornar-se como um selo de qualidade/transparència. Ou seja: o governo que não convida os observadores da UE para observar as eleições de seu país está praticamente fadado a ter as eleições classificadas como ilegítimas. Os que convidam tem que ouvir declarações irresponsáveis. Como eu disse antes, acho a missão da UE interessante. Mas, infelizmente, enquanto os chefes das missões não usarem bom senso e medirem as palavras, fica difícil aguentar o dueto ataque-cautela e a prepotència dos donos da verdade, transparentes, não-corruptos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Eleições repetidas?

Bom, pelo menos é isso que a Unita parece querer. Segundo a RTP, a direção da Unita está reunida e prepara-se para pedir a repetição das eleições em Luanda. A Comissão Nacional Eleitoral ainda não recebeu qualquer pedido oficial por parte do partido de Isaías Samakuva, mas a decisão da Unita poderá ser seguida igualmente por outros partidos.

Há mesas que continuam à espera dos boletins de voto, como é o caso do Cazenga, e muito provavelmente serão reabertas amanhã de manhã, na capital angolana. Esta noite, as assembleias de voto só vão fechar às 22 Horas, em Luanda.

No resto do país, o processo eleitoral decorreu com normalidade.

Enfim, já ouvi essa mesma história nas duas últimas eleições que cobri na África, no Malauí e em Moçambique. Em nenhum dos casos, o pedido da oposição foi acatado. Será que em Angola será diferente? Creio que não.

Balanço do dia

Por Isabel Paulo, de Benguela*

No município da baia farta por volta das 6h 30 já havia eleitores nas assembleias de votos constituindo grandes filas com eleitores de varias faixas etárias.

As 7h41 Na escola 10 de Dezembro assembleia nº7 os eleitores arrombaram o portão da escola alegando em 1º lugar a desorganização por parte dos o membros de mesa que encarregado do pessoal, e o facto de estarem ali desde as 5h, após o arrombamento formaram filas mais organizada, e o portão do acabou danificado.

Constatamos também a falta de representantes dos partidos nas assembleias de votos.

A população benguelense aderiu de forma massiva a este processo após ao meio dia as assembleias estavam as moscas, porque a maioria já tinha exercido o seu direito sem nenhuma alma para votar.

Ainda na baia farta tivemos a informação do enfermeiro do hospital municipal que os eleitores hospitalizados não tinham votado por falta de assembleias de voto no hospital.

Notou-se a fraca presença de observadores nacionais e internacional em diferentes assembleias da Baia Farta e Benguela.

*Isabel é brigadista da Associação Omunga.

Por volta das 12h 40 já não havia boletins de voto na escola Mutu-ya-kevela na assembleia nº09.05.142 paralisou a assembleia por 3 horas Segundo fontes,

Ao fim do dia registou-se a falta de luz no inicio da contagem dos votos por volta das 18h 57 sendo os votos contados nas mesmas condinçõe,isto no campo do electro,Lobito e também constamos que no IMNE a mesma situação poucos minutos depois reabasteceu,por volta das 19h8.
ao contarrio da 1ª as demais assembleias mantinham um clima calmo.

Começa contagem de votos no Lobito

Por Dino Jimbi*

Por volta das 19 horas e trinta minutos a maior parte das urnas na cidade do Lobito já tinham ficado sem eleitores e procederam logo a contagem dos votos de cada partido.
Ainda nesta cidade registou alguns incidentes como começo tardio houve mesmo assembleias que começaram a trabalhar só as 10 horas e outras as 11 horas.
No bairro da Restinga, concretamente no salão do Ferrovia, onde se encontrava mais uma assembleia, na altura da contagem dos votos registou-se um boletim que foi assinalado justamente na bandeira do partido e não no quadrado que é o lugar indicado para pôr um sinal, na altura da contagem foi considerado valido, o que, segundo a lei não deve ser.
Durante a votação alguns delegados de lista de partidos políticos, segundo um observador eleitoral orientavam os eleitores o votarem nos seus partidos.
Terminou o escrutínio agora presencia-se a contagem dos votos e já se pode notar que o partido com mais votação em algumas mesas de voto é o do MPLA. De resto notou-se também uma desorganização por parte dos responsáveis de mesas de voto um pouco por toda a parte deste município do Lobito e uma desorientação por parte do eleitorado.
A ultima noticia que mandamos é que neste exacto momento(21h 30 minutos) espera-se contagem dos votos de todas as mesas de uma assembleia para depois serem publicados nas portas dos edifícios onde foi realizado a votação.

*Dino Jimbi é brigadista da Associação Omunga

Tudo tranquilo na Baia-farta e em Benguela

Por Cecília da Costa e Dino Jimbi

Acontecem hoje dia 5 de Setembro as segundas Eleições Legislativas em todo o território angolano. Em Benguela, os brigadistas da Associação Omunga foram divididos em dois grupos, um que tem como área de jurisdição os Municípios da Baia-Farta e Benguela e o outro os Municípios do Bocoio e Lobito. A equipa de Cecília e Dino partiu as cinco horas e vinte minutos chegou lá por volta das seis e meia ao Bocoio que dista a setenta e cinco kilómetros do município do Lobito, a norte da província de Benguela, com uma população estimada em 163 mil 714 habitantes, dentre os quais constam 53 mil 832 eleitores. O mesmo município conta com 88 assembleias de voto e cada uma delas com quatro mesas de voto e por sua vez cada uma das mesas com capacidade de atender 250 eleitores.

Por volta das seis horas e trinta minutos os eleitores já tinham formado as filas na escola Rei Mandume, no Município do Bocoio para exercerem o seu dever cívico. A equipa das mesas esteve composta por um presidente, uma secretaria, dois escrutinadores, um polícia eleitoral, quatro delegados de listas representando os partidos politicos, e um observador nacional. O escrutínio começou as sete horas previsto em todo o país. Antes do escrutinio verificou-se as urnas na presença dos observadores nacionais que por sinal eram da Plataforma Eleitoral e de três delegados de lista representando o MPLA e um representando a UNITA, os outros partidos não se faziam presentes. Depois de confirmada o vazio das Urnas o presidente de mesa foi o primeiro a votar mas alegando que podia votar na outra mesa, e a seguir os outros elementos da equipa. Por ausência de mesas de voto móveis, os doentes hospitalizados tiveram que exercer o seu direito de voto nas mesas fixas acompanhados pelas enfermeiras e estes foram priorizados devido a sua condição de saúde, visto que alguns apresentavam uma grande debilidade física. Segundo o director do gabinete eleitoral daquele Município, Zacarias Mário Buengue de 37 anos, a ausência do pessoal responsável pela movimentação das urnas condicionou a falta de urnas móveis.
Os eleitores afluíram massivamente as filas e quando eram nove horas e trinta minutos já haviam exercido o seu voto, deixando as mesas sem eleitores. Trinta minutos depois no olhar atento da equipa em trabalho foi notória a chegada de duas carrinhas cheias de eleitores, segundo fontes oficiosas, alguns partidos políticos dispensaram meios de transportes para levar os seus eleitores aos locais de votação para exercerem o seu voto.

É também de realçar a entrevista cedida pelo director do gabinete Eleitoral daquele Município que segundo o mesmo, o material para a votação foi levado de helicóptero àquelas zonas onde transportes terrestres não chegam. Ainda na sua opinião até doze horas não havia se registado nenhum incidente, apenas receava que os boletins de voto não serem suficientes para todos os eleitores.

No período da tarde já de regresso ao Lobito observou-se um certo vazio de eleitores nas assembleias de voto em quase todo município mas acreditamos que nem toda população tinham exercido o seu dever cívico eleitoral.

*Cecília e Dino são brigadistas da Associação Omunga.

REINA A CALMA NO BOCOIO NO DIA DAS ELEIÇÕES

Por José Patrocínio

Quando eram cerca das 05H00 da manhã de hoje (hora local), uma equipe da associação OMUNGA constituída pelos brigadistas jornalistas Cecília e Dino e coordenada pelo Patrocínio saiu do Lobito em direcção ao Bocoio, na província de Benguela, em Angola. O objectivo era o de fazer a cobertura das eleições legislativas naquele município da província de Benguela. Localizada a cerca de 70 Km do Lobito, a sede municipal, outrora chamada por Vila Sousa Lara, localiza-se na via que liga o Lobito à cidade do Huambo.

Á medida que se subia o morro do Pundo, o nevoeiro envolvia-nos obrigando a uma viagem cautelosa. Ao longo da estrada iam-se desvendando escolas e outras infra-estruturas adaptadas em Assembleias de Voto. Ao seu redor, viam-se aglomerados de pessoas que ansiavam por exercer o seu direito de votar.

O Bocoio antigo produtor de sisal, é hoje bastante conhecido pelo ananás que abastece os mercados locais. Constituído por 5 comunas, tem uma população estimada em cerca de 123 700 habitantes.

De acordo às informações prestadas no local pelo Director do Gabinete Municipal Eleitoral do Bocoio, foram registados 53 832 eleitores. Foram ainda constituídas 88 Assembleias de Voto comportando um total de 261 Mesas de Voto.

Depois de contactado o Amos (membro da coordenação da Observação Eleitoral da Rede Provincial Eleitoral), contactámos o Gabinete Municipal Eleitoral local para informarmos da nossa presença e dos nossos objectivos

Partimos em seguida para a Assembleia de Voto N.º 09.13.003, onde aguardavam pacientemente eleitores pela hora de votarem. Eram essencialmente pessoas adultas e idosas e não se visualizava grande presença de jovens. As mulheres com os seus lenços mais vistosos e envoltas em seus panos novos, coloriam alegremente o ambiente. Elas eram ali a maioria. E assim também parecia em todas as assembleias pelas quais passámos.

O ambiente era de civismo, não se vendo qualquer agitação partidária nem a presença de forças militares e da polícia.

A Assembleia abriu às horas previstas (07H00) e deu-se prioridade aos idosos, mulheres grávidas e pessoas com necessidades especiais. Deram ainda prioridade às pessoas doentes que vieram do hospital que se localiza a alguns metros dali. Questionado o director do Gabinete Municipal Eleitoral, sobre o facto de não se ter deslocado ao hospital uma equipe móvel conforme estabelecido na lei, respondeu não haver razões concretas para o fazer.

As urnas brancas de tampo azul permitem verificar que estavam vazias e todo o pessoal estava presente, incluindo os observadores nacionais. É de se realçar que pela primeira vez na história de Angola, a sociedade civil participa de forma tão activa e directa num processo eleitoral. Começando nas acções de educação cívica eleitoral e passando pela observação de todo o processo eleitoral. Para o efeito, organizou-se um Observatório Eleitoral. A base de todo o sistema são os observadores que se responsabilizam por acompanhar todo o processo em determinada Assembleia de Voto. Existe ainda um supervisor municipal que visita todas as assembleias de voto onde se encontram os observadores e recebe deles as informações que partilha com a equipe de coordenação provincial ou directamente para Luanda

Enquanto estávamos por aquelas paragens, demos conta do receio de que não seja suficiente o número de boletins de voto. Esta preocupação foi também apresentada por observadores no Lobito o que nos transmite uma preocupação generalizada.

A partira das 10H00 todas as Assembleias estavam sem qualquer afluência de eleitores, deixando as equipes numa visível sonolência. Decidimos regressar.

De regresso ao Lobito, quando eram cerca do meio-dia, com o propósito de podermos divulgar rapidamente as nossas informações, deparámo-nos novamente com uma estrada vazia, sem qualquer movimento de viaturas, reflectindo-nos a ideia de que todos os angolanos dedicaram este dia à escolha do seu futuro.


* José Patrocínio é coordenador da ONG angolana Associação Omunga. Credencial da CNE para cobertura jornalística N.º 11004323

É hoje!

Os angolanos vão às urnas hoje depois de 16 anos. Ontem conversei com amigos angolanos e todos estavam ansiosos e otimistas, nem tanto com o resultado das eleições, mas com o clima eleitoral que, em geral, foi de tolerância, salvo algumas exceções.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Nasceu mais uma Mirellinha....

Hoje de manhã recebi uma notícia inusitada. Nasceu a filha de Suzy, uma aluna de um curso de vídeo-participativo que dei em Angola no começo do ano. Até aí, tudo bem! O curioso é que a meninha se chama Mirella. Fiquei lisonjeada. Não sei se foi homenagem ou não, já que liguei mas não consegui falar com Suzy. Mas que o nome foi escolhido por causa minha, foi sim!
Boas vindas, Mirella. Que você seja muito feliz! Estou louca para te conhecer.

Essa história me lembra uma outra, que aconteceu comigo quando morava em Beira, Moçambique. Meu amigo DJ, T., que trabalhava na mesma rádio que eu, me contou que se ele tivesse uma filha com a namorada, ela se chamaria Mirella. Fiquei super feliz e, claro, torci para que fosse menina. Mas teve um porém. Antes de descobrir se era menina ou menino, T. descobriu que o pai da criança não era ele. Enfim, acabei nem sabendo se nasceu menina ou menino, qual foi o nome escolhido, se está bem e tal! Coisas da vida....

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Diminuídos físicos?

A pérola abaixo foi publicada pela Angop. Mostra bem como a sociedade vê os deficientes, como "diminuídos físicos". É lamentável.

"Luanda – Com a aproximação a velocidade cruzeiro da data da realização das segundas eleições legislativas em Angola, a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) veio à imprensa explicar os “dez passos” a serem seguidos pelos oito milhões e 300 mil eleitores no dia 5 de Setembro, desde o momento da entrada a saída da assembleia de voto.

O porta-voz da CNE, Adão de Almeida, informou que neste dia estarão disponíveis nas assembleias de voto cabines especiais para eleitores portadores de deficiência, de forma a facilitar o exercício do direito do voto desta franja do eleitorado, acrescentando que elas terão características que permitirão o fácil acesso aos diminuídos físicos..."

Se você está indignado, visite o blog Assim como Você, do jornalista Jairo Marques. Ainda há de haver esperança!

domingo, 24 de agosto de 2008

Mais uma gafe...

Eu acho que acompanhar a cobertura dos Jogos Olímpicos é sempre uma boa oportunidade para dar várias risadas com as gafes cometidas pelos jornalistas e comentaristas. Pois é, cobertura ao vivo não dá para disfarçar.
A última gafe que peguei foi de Álvaro José, da Band, durante a cerimônia de encerramento dos jogos. Não é que ele confundiu a bandeira de Angola com a bandeira da antiga Alemanha Oriental? E ainda teve tempo para demonstrar todo seu conhecimento sobre a queda do muro. Segue uma reprodução:
"É Luciano (do Valle). Olha lá os atletas com a bandeira da antiga Alemanha Oriental. Provavelmente muitos deles pertenciam à Alemanha Oriental antes da queda do muro em 1989." E por aí vai....
Brasil terminou em 23o na classificação geral de medalhas. Angola e Moçambique não conquistaram nenhuma medalha.

A chegada em Maputo - trabalho voluntário II

A chegada em Maputo foi um choque, nao por causa das condicoes da cidade, mas porque todo mundo fala portugues e é muito estranho estar na Africa, tao distante, tao desconhecida, e escutar as pessoas falando a mesma lingua. Os mocambicanos nao apenas falam portugues, mas eles sao loucos pelo Brasil. Eles assistem a novelas brasileiras, escutam musica brasileira, amam Ronaldo, e estao mais do que ansiosos para recepcionarem o cantor Netinho de Paula - e seu um dia de princesa -que tem uma visita prevista a Mocambique em novembro. Seu programa e transmitido aqui aos domingos. Ahhh, eles tambem vao a igreja. E claro, vao a Igreja Universal do Reino de Deus.

Maputo e a capital de Mocambique, com pouco mais de tres milhoes de habitantes. O centro da cidade e bastante limpo se comparado com o padrao nacional. A arquitetura e colonial portuguesa, como em muitas cidades do Brasil. A pobreza, entretanto, da um soco na cara de quem la chega. Ruas pavimentadas so na regiao central. As construcoes portuguesas tambem. A poucos minutos do centro, ruas de terra, casas bem simples feitas de palha e bambu, uma grande favela, mas nao tao aglomerada como as do Brasil. A populacao e carente. Falta tudo.As pessoas vestem-se com roupas bem velhas, surradas, furadas, sujas. So 1/3 das casas em Maputo tem agua tratada e encanada e sistema de esgoto. As criancas brincam na rua enquanto as maes trabalham vendendo frutas, peixe ou biscoitos que fazem em casa. Falta aos mocambicanos informacao sobre higiene e cuidados com a saude. O lixo e jogado na rua, as criancas brincam com ele, e as galinhas se alimentam dele. Depois sao vendidas no mercado e vao de la para a mesa.

Fiquei apenas um dia em Maputo, mas consegui dar uma volta pela cidade, ver alguns murais de arte, ir ao hospital. Enfim,sentir a cidade. Outro fator interessante sao os nomes dados as ruas,muitas deles com alusao a luta pela independencia de Mocambique, em1975, como prca. Da Forca Popular, e outras com referencia a pensadores de esquerda, como av. Karl Marx. Depois da independencia de Mocambique, em 1975, o pais viveu uma guerra civil ate 1992,quando foi assinado um contrato de paz, que vigora ate hoje. A guerra envolveu basicamente duas guerrilhas, que depois viraram partidos politicos: a Frelimo (Frente pela a Libertacao de Mocambique) e aRenamo (Resistencia Nacional de MOcambique). A Frelimo, que governa o pais hoje, tem uma linha ideologica mais voltada para a esquerda. Na guerra civil, inclusive, foi apoiada por Cuba e pela ex-URSS. ARenamo e de direita, teve o apoio da Africa do Sul e dos EUA durantea guerra. (continuação)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

De Londres para Johanesburgo - trabalho voluntário

Segue email que escrevi para minha familia e para meus amigos no dia 4 denovembro de 2003, dois meses depois de ter chegado em Beira, Moçambique. Aqui estão minhas primeiras impressões da África, de Johannesburgo, no caso específico, minha primeira parada no continente. Sãoprimeiras impressões e, muitas delas, não valem mais pra mim. Mas acho que vale a pena deixar aqui o registro dessas impressões, principalmente para quem quer trabalhar como voluntário por lá. É sempre bom ler o ponto de vista de quem lá já esteve.
O texto está sem acentos porque o escrevi a partir de um internet café de Beira, cujos computadores eram configurados para o inglês. Estranho em um país de língua portuguesa!

LONDRES - JohAnesburgo - Minha viagem comecou um dia antes do previsto. Isso mesmo. A agencia que vendeu apassagem aerea verificou que a validade do meu bilhete estava errada e, por isso, adiantou em um dia a viagem. E claro que eu so fiquei sabendo disso menos de 24 horas antes de eu viajar. Mas, enfim, deu tudo certo e finalmente embarquei para Johanesburgo, na Africa doSul. Onze horas depois de deixar Londres cheguei na cidade mais rica da Africa e uma das mais perigosas. Viajei com uma >amiga hungara,que hoje mora comigo. Depois da imigracao, e que>comecou o choque cultural. Acho que o choque seria bem menor se eu tivesse vindo direto do Brasil. Mas entre a Europa e a >Africa, a diferenca e muito mais brutal. >Logo na saida da area reservada para passageiros,os h omens >da limpeza fizeram um corredor humano e ficaram nos saudando, enquanto passavamos. Na Africa, ser mulher, branca e gorda (bom, aqui qualquer um e gordo se comparar com a media da populacao) e sinal de riqueza. A impressao que eu tinha era de desembarcar na rodoviaria Tiete depois de um feriado de Carnaval. Todo mundo queria minha mala. Do saguao do aeroporto ate o estacionamento, de onde partia o carro do albergue, a luta foi para salvar a mala. Ja, no carro, portas e janelas fechadas, e vamos la. >Johanesburgo tem ruas limpas e bem pavimentadas. Os pedintes se espalham pelas ruas, eles usam placas para identificarem o que precisam, e sempre estao a espera para o sinal fechar. Voce ja ouviu essa historia? A cidade tem uma organizacao bem parecida com a das grandes cidades latino- americanas. E caotica, perigosa, rica e pobre ao mesmo tempo. Nao conheci muito a cidade. So passei um dia la, e vivi meio como refugiada. O albergue que fiquei oferece transporte de graca ate um shopping center. E foi para ali que fui, ja que nao ia colocar osmeus pes na rua de jeito nenhum sem a companhia de alguem que conhecea cidade. O passeio ao shopping center pode dar uma ideia de quao perigosa Johanesburgo e. Ao inves de propor um lugar mais interessante, esse e o unico destino de graca que o albergue oferece. E shopping center e igual em qualquer lugar do mundo. Tantono aeroporto, quanto no albergue ou no shopping center, a Africa negra quase nao existe. So aparece fazendo servico pesado, e claro,coisa que nem passa pela cabeca de um branco la. Nas vitrines das lojas, nos shopping, os manequins sao brancos. So em uma loja havia manequins negros, mas so os corpos, sem cabeca. Talvez uma mensagem subliminar. Sera que o apartheid acabou? No albergue, o gerente, a recepcionista, o caixa, todos sao brancos. A arrumadeira , o homem que e motorista e pedreiro ao >mesmo tempo, os homens que trabalham na ampliacao do lugar, sao todos negros. Inclusive, o homem meio motorista meio pedreiro nos levou para a rodoviaria para pegarmos o onibus para Maputo, capital de Mocambique, a oito horas de la. Ele nao conseguia olhar para o meu rosto quando eu falava com ele. No albergue, com os brancos funcionarios do alto escalao, o comportamento e o mesmo. (continuação)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Os primeiros passos de uma voluntária*

Já faz quase um mes que estou na Inglaterra e, para nao perder o vicio, aqui vai meu primeiro diario de bordo. Para relembrar quem ja se esqueceu, cheguei naInglaterra dia 3/3, feriadao de Carnaval. Estou participando de um programa de voluntariado. Fico seis meses aqui, mais seis em Mocambique, e depois mais dois em algum lugar. Achei que iria para aDinamarca, mas talvez vou parar em outro pais. Vivo em Winestead,uma cidade bem minuscula, com muitas fazendas, no nordeste daInglaterra. Mas meu dia aqui nao e monotono. Nem um pouco. Voces vao ver. Minha casa fica numa area bem verde. E no mesmo lugar que a escola. Vivem aqui umas 30 pessoas, oito da minha equipe, e o restante de mais duas equipes. Ou seja: passamos os dias aqui. E uma especie de Big Brother, mas, e muito legal. Por exemplo: cada pessoa tem uma ou mais areas de sua responsabilidade. Sou responsavel por festas (e claro), pela viagem de sobrevivencia que vamos fazer no fim de abril e por fundraising (arrecadacao de fundos para irmos para a Africa). Mas...... minha amiga hungara e>responsavel pela cozinha e pelo menu. Entao, fazemos nossas festinhas ilegais todas as noites e "arrecadamos" quitutes na cozinha - ela tem a chave de la.
Aqui dou aula de portugues para minha equipe todos os dias. E tambem estou estudando frances, uma vez por semana, com uma francesa. Procuro dar as aulas do jeito que >gostaria ter aprendidoingles, espanhol e, principalmente, italiano. E muito gostoso dar aulas. Outra responsabilidade que temos e cozinhar, lavar os pratos e limpar a casa. Tres vezes por semana eu cozinho ou lavo a louca para as 40 pessoas que vivem aqui. Dividimos as tarefas em tres ou quatro pessoas. Sou um desastre. So posso cozinhar massa e brigadeiro. Estouquebrando o galho assim. Outro dia, fiz ate talharine ao forno. Ficou bom, por incrivel que pareca.

Para arrecadar fundos para a viagem para a Africa, os voluntarios tem de elaborar uma revista e vende-la pelas ruas da Europa. Fiz o projeto grafico da ultima revista e editei os textos. Ficou boa. Hoje, acabei de voltar de Liverpool, onde fui vender algumas revistas. Fiz mais dinheiro do que em um mes trabalhando como jornalista. Nao sei se fiquei feliz ou triste. Liverpool e bem legal. Fui ao museu dos Beatles e a um bar no centro da cidade, onde eles tocavam. A cidade e uma daquelas que respiram musica. Ainda esta frio. Hoje devem ter feito uns 12 oC. Quem me conhece bem sabe que eu sou muito calorenta. Aqui tenho que usar no minimo tres blusas. Antes usava duas calcas, mas ja cansei de colocartanta roupa e estou me garantindo so com uma mesmo.

Nesse tempo que estou aqui so tenho uma certeza: a experiencia esta valendo a pena

Qto. a guerra (a invasão do Iraque, em 2003), estou apenas acompanhando as noticias pela internet e pela televisao. Ainda nao e dessa vez que vou a uma guerra. Ainda nao. So ainda, viu, mae! Por aqui esta tudo tranquilo. Mesmo em Liverpool nao parece que o pais esta apoiando a guerra. Ainda nao fui para Londres. Fiz a rota anti-terror Sao Paulo-Amsterda-Humberside. O cachorro da policia quase pulou em cima de mim em Amsterda mas, de resto, tudo deu certo.

Devo ir a Londres no fim do mes. Dai conto para voces como esta o clima la. Bom, por enquanto e isso.

*Email que enviei para amigos no dia 01/04/2003, contando as primeiras experiências sobre meu programa de voluntariado. Como digitei o texto em teclado inglês, não acentuei.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Campanha eleitoral em Angola

Começa hoje a campanha eleitoral para as eleições legislativas angolanas, marcadas para 05/09/08. São dez partidos e quatro coligações na disputa.

Mais uma vez, não custa lembrar: assista ao vídeo "Angola rumo às eleições legislativas", produzidos pela Minibus Media em parceria com a brigada de jornalistas do Omunga, e tire algumas dúvidas sobre o processo eleitoral.

Hoje, a BBC para África publicou matéria sobre o assunto, citando, novamente, matéria produzida sobre "Angola rumo às eleições legislativas".

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Angola na Globo

Serginho Groissman recebeu o cantor angolano Yuri no Altas Horas do último sábado. Contei para uma amiga e ela me disse: - "Nooooossa, um angolano? Que diferente!". Claro, ela ficou surpresa que um cantor angolano tivesse sido convidado para o programa do Serginho. Eu não. Afinal, mais de 160 mil das 500 mil pessoas que assinam a Globo Internacional estão em Angola, o país com o maior número de assinaturas do serviço no mundo. A foto abaixo não me deixa negar.


Eu, particularmente, gostei bastante do fato de mais um angolano ter espaço na mídia brasileira. Aliás, estava pensando outro dia que as milhões de viagens do Lula para a África contribuíram para deixar o continente mais presente na nossa imprensa (ou menos ausente, melhor). E eu acho que a tendência é termos cada vez mais espaço para questões africanas, principalmente, na Globo e na Record. A primeira deve isso à Angola, já que a principal receita de assinaturas internacionais vem do país. A segunda não deixa de brigar com a primeira pela liderança nacional e internacional, mas tem também um plus a mais: a Igreja Universal do Reino de Deus, que está em lugares que eu jamais imaginaria, como no Malauí, por exemplo, com direito a programa de rádio, inclusive.

Disso tudo, a coisa que mais me magoa é que ainda conseguimos perder a oportunidade de aprendermos mais sobre os países africanos e suas populações. Um exemplo clássico foi no Altas Horas. Apesar de a apresentação ter sido de Semba, com direito à coreografia (belíssima, diga-se de passagem), as questões dirigidas a Yuri demonstraram perfeitamente nosso grau de ignorância sobre Angola. Mas as respostas de Yuri também não nos ajudaram muito a aprender sobre o país. Uma menina perguntou como os angolanos conseguiam ser felizes mesmo com o país em guerra há nove anos (não me pergunte de onde ela tirou essa info). A resposta de Yuri foi categórica: nós angolanos somos um povo feliz, alegre, estamos reconstruindo nosso país, as eleições estão aí e tal. Daí outro adolescente perguntou: "e como você se sente em relação ao preconceito?". Primeiro, Yuri não sabia de que preconceito o jovem estava falando. Afinal, tenho certeza que o menino que perguntou imaginou a situação de um negro no Brasil (o menino era negro). A pergunta era sobre preconceito racial mesmo, só que em Angola. (provavelmente, o menino deve ter imaginado a sociedade angolana como a nossa, 50% negros e 50% não-negros, de maneira geral). Daí que Yuri solta a máxima dele: "Não falo de preconceito porque não existe preconceito. O branco é igual ao negro". Concordo, mas só com a segunda parte da resposta.

Só para resumir: acho que é próprio do ser humano mesmo imaginar um mundo perfeito! E, para completar, Serginho não fez nenhum comentário, nem tentou explorar nem a pergunta nem a resposta, só para esclarecer o telespectador brasileiro (e o angolano também). No entanto, ele não deixou de dizer que irá a Angola este ano. Também, né, com a grana das assinaturas angolanas da Globo Internacional, acho que o mínimo é que a Globo invista mesmo em programas que promovam o intercâmbio cultural e outros entre Brasil e Angola (e África portuguesa).

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Enfim estou em Maputo!

Texto escrito em outubro de 2003 para amigos que se preparavam para ir da Inglaterra para trabalhar como voluntários em alguns países da África.

Arriving in Maputo was a shock, not because of the conditions of the city, but because of the fact that everybody speaks my language and it is pretty strange to realise that. They not only speak my language, but they are also (as I do) crazy for Brazil. They watch Brazilian soap operas, they listen Brazilian music, they love Ronaldo, and they are more than anxious to welcome a Brazilian singer that is coming to the country on November and whose program is on TV every Sunday. Ahh, they also go to the church…. a Brazilian church called Igreja Universal do Reino de Deus. It is amazing. I can tell you guys: learn the language of the country you are going because you have a great advantage. Shari is doing really well. She can communicate to the people, and I am sure that in one or 2 months she will be speaking quite well. We stayed one day in Maputo when we went to visit the city. It is not so dirty, but it is extremely poor if we take into consideration that it is the capital of the country. The streets are pavimented, but just 1/3 of the houses has clean water and sewage system. The buses are called chapas and actually they are mini buses that can fit as many people as go inside. Everybody is welcome. If you just leave the city center, you can see streets that are not pavimented and very simple houses made by palha (I don’t know the name in English) and bamboo.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Enfim em Joahnnesburg!

Eis que vasculhando meus emails, acho um email que escrevi em outubro de 2003 para alguns amigos que se preparavam para ser voluntários na África. No email, dividido em três partes, que postarei em três dias aqui, conto um pouco das minhas primeiras impressões na África e dou dicas para os próximos voluntários que lá chegarão. Pisei no continente pela primeira vez no dia 24 de setembro de 2003. Fiquei em Joahnnesburg por dois dias, depois segue para Maputo e, enfim, para Beira, onde morei. É claro que essas são primeiras impressões que não refletem necessariamente o que penso hoje.
O único inconveniente do email é que foi escrito em inglês. Mas vou ver se acho os outros vários que escrevi em português. Ah, meu inglês melhorou bwé nesses últimos cinco anos!


JOAHNNESBURG (extra luggages, currency exchange etc.)The first step is getting to Joahnnesburg. As soon as we left the airplane a guy that worked for the airport came to help us to carry our stuff. Of course: we were full of things, we are women and we are white. Never mind, it was of providencial assistance. We jumped the line at the immigration and after 5 minutes we were next to our luggages. Ops: we were carrying lots of things because the guy (Pound Saver) that sold the tickets said that we could carry 20 kg extra but when we did the check in they only allowed us to carry 3 kg extra. Then we had to hide the 20 kg extras in our hand luggages. So, try to arrange these extra kg before with the Pound Saver man.After taking the luggages we met the people from the hotel that we stayed (Africa Center). They took us to the hotel what was a good idea because Joahnnesburg can frightened even me that I am from Sao Paulo. In the airport parking lot some men tried to carry our luggages, and all of them were asking for money.After this premier, we weren’t so excited to go to the city center. We prefered to do what the hotel suggested: go to a Mall. Then I realised that all the Malls wherever we go are the same. Even in the windows, the manequins were white. I saw just one black manequim inside a store. Detail: without head, only the body. After being there for some hours my feeling was that the apartheid hasn’t finished yet. Even in the hotel, all the high staff was white, and the ones that had to do the hard service were black. The guy that took us to the bus station was black, and I couldn’t see his eyes because he was afraid of looking at us since he didin’t seem to look to the other white people that call the shots there.In South Africa, they accept all kinds of currency but they never accept coins in other currencies. So take only bank notes. The currency change is the same as in England if you go to a bank, but in the hotel you can loose more money. It was what happened with us. I had 10 pounds in notes and Shari and I had more 10 euros in notes. Since we didin’t get pocket money for this trip we had to expend this money to pay the taxi from the hotel to the bus station. It costed us almost 18 pounds. And we had arranged the price before, but this kind of services are expensive there.The next day, we took off to Maputo by bus. The bus is really good. It took us 8 hours to get to Maputo. In the border, they charged us a tip of 5 dollars. But we were really lucky, and I remembered that my father gave me exactly 5 dollars before I left Brazil just in case I would need it. That was the only money that we had.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Loucos pelo Brasil - Da série não publicadas 4

A dona de casa Amélia Dinga, de 23 anos, não perde um capítulo da novela “O Clone”. Todos os dias, às 20h30, ela vai ao cinema perto de sua casa, em Beira, para assistir à novela. O cinema funciona em uma espécie de tenda, com cobertura de lona, sustentada por quatro pedaços de bambu. A televisão de 24 polegadas capta a atenção dos espectadores. O dono do cinema aluga a fita de vídeo com os capítulos de “O Clone” por dez mil meticais (cerca de R$ 1,5) e cobra mil meticais (cerca de R$ 0,15) por sessão. A novela é disputada. Sentados em bancos feitos de madeira ou mesmo no chão de terra batida, os espectadores se apertam para não perder nenhum momento.

Para Amélia, a sessão de cinema noturno e sua única diversão. Nada mais merecido para quem levanta todos os dias às 4h30 para fritar biscoitos, que vende durante o dia em um mercado de rua da cidade. Ela tem três filhos, cada um com um pai diferente. As crianças não conhecem seus respectivos pais. Todos fugiram antes dos filhos nascerem. Amélia diz que seu “coração é 100% brasileiro”. Ela sabe muito sobre o Brasil, informações todas obtidas nas novelas. Já ouviu falar de Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro. Seu sonho é visitar o Brasil. Ela só tem uma reclamação. A novela “Terra Speranza” (no Brasil “Esperança”) vai ao ar pela Televisão de Moçambique (TVM ) no mesmo horário que a sessão de cinema começa.

O vendedor José Matabele, de 20 anos, está mais interessado na vinda do cantor e apresentador Netinho de Paula para Moçambique, neste mês, do que na visita do presidente, conhecido aqui como Lula da Silva. O programa de Netinho é transmitido em Maputo pelo canal Miramar, que recebe o sinal da Record. Os programas da Globo e da Record podem ser assistidos em todo país por quem tem tv a cabo. Netinho é um dos muitos artistas brasileiros que fazem sucesso aqui. Na rádio, Sandy & Jr., Leonardo, Falamansa disputam as paradas com Roberto Carlos, Kelly Key e É o Tchan. O Bonde do Tigrão também passa por aqui.

Muitos moçambicanos já imitam o sotaque brasileiro. Influência não só das novelas, mas também dos pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, que está espalhada por todo país. Os moçambicanos adoram Ronaldinho, Ronaldo, Rivaldo. Dizem que torceram para o Brasil na Copa de 2002. As fotos dos jogadores estão estampadas em cadernos escolares, nas camisas, nos chinelos e nas capulanas (cangas), utilizadas pelas mulheres como saia.Nos mercados, leite condensado, balas, frango e leite são brasileiros. E, apesar de o Brasil não ser considerado um dos grandes parceiros comerciais de Moçambique, a rádio anuncia pela manhã o fechamento do dia anterior da Bovespa. É nos mercados também que os moçambicanos podem comprar revistas brasileiras de meses anteriores, como IstoÉ, Caras e Exame. Se atualizam com as noticias e com as fofocas sobre os artistas que fazem novelas.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Da série matérias não publicadas 3

Setor mineiro pode aquecer economia moçambicana*

A expansão bem gerida do setor mineiro em Moçambique é considerada fator essencial para o crescimento econômico do paés e a melhoria da qualidade de vida da população. A afirmação está no Plano de Ação para a Redução da Pobreza Absoluta 2001-2005 (Parpa). O documento, elaborado em 2000, traça as diretrizes para as políticas sociais e econômicas do país na tentativa de redução da pobreza.

Segundo o Parpa, a incidência da pobreza absoluta atinge 69,4% da população moçambicana. Ou seja: 2/3 da população vive abaixo da linha da pobreza, com menos de um dólar por dia. Nas zonas rurais, onde vivem 80% da população, a incidência de pobreza absoluta é de 71,2%. A renda per capta e de cerca de 170 dólares por ano, menos de R$ 1,5 por dia.

O Censo 1997 apontou uma população de aproximadamente 17 milhões de habitantes. De acordo com o Parpa, em 2004 a população poderia crescer ate 18.972.396, mas, devido à epidemia de Aids, o numero pode ser reduzido a 17.867.213. A previsão e de que de 2001 a 2004, 1.105.183 moçambicanos morram por causa da Aids.

A Aids, segundo o Parpa, pode contribuir para a diminuição da expectativa de vida. Em 1997, a expectativa de vida era de 42,3 anos. As estimativas para 2004, sem o impacto da Aids, apontam para 46,3 anos. Com a Aids, entretanto, estimativas indicam que a expectativa de vida pode ser de 35,2 anos.

O Parpa não indica o índice de desemprego da população, estimado em 21%, segundo dados da CIA (agência de inteligência americana), em 2001. Segundo o Parpa, enquanto nas zonas urbanas os não-pobres tendem a ter mais chances de trabalho do que os pobres, nas zonas rurais não existem diferenças neste aspecto. Nessas zonas, não é o emprego em si, mas outros fatores, como o montante do salário ou o número de dependentes, que são os maiores determinantes da pobreza. Nas zonas rurais, aproximadamente todas as pessoas trabalham no setor agrícola, mais particularmente os pobres. Nas zonas urbanas, menos de 1/3 dos não-pobres trabalham na agricultura, sendo este grupo mais representado nos setores de “comércio e serviços” e “serviços públicos”.

Moçambique tem déficit dramático em profissionais com formação superior. Em 2000, no setor de educação, havia 752 profissionais com formação superior. Em 1998, toda administração pública tinha apenas 3% de profissionais com nível superior.

Os dados econômicos, no entanto, apontam para um país que vem crescendo. Segundo a CIA, em 2002, a economia moçambicana cresceu 8%, sendo o 12o maior crescimento no mundo, com uma inflação estimada em 15,2% ao ano. Em 2000, o crescimento industrial foi de 3,4%.
Indústrias de alimentos, bebidas, químicas, alumínio, produtos petrolíferos, cimento, vidro e tabaco estão instaladas no país. Segundo os dados da CIA, o setor industrial representa 23% da economia, o agrícola, 22% e o de serviços, 55% (2001).

Em 2002, o país exportou 680 milhões de dólares e importou 1,18 bilhões de dólares. Os principais parceiros comerciais para exportação são a África do Sul, o Zimbábue, o Japão, Portugal e Espanha. As importações vêm da África do Sul, de Portugal, dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Austrália.

*matéria escrita em 2003. A Vale ganhou a concorrência para explorar Moatize em 2004.

domingo, 13 de julho de 2008

Da série matérias não publicadas 2...

Visita traz esperança a moçambicanos*

A exploração de carvão, o programa Fome Zero e as negociações para a instalação de uma fábrica de medicamentos antiretrovirais em Maputo, capital de Moçambique, são as principais expectativas levantadas pela imprensa moçambicana para a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar de considerar a visita como relâmpago, a imprensa local deposita na vinda de Lula a Moçambique o aumento das relações de cooperação entre os dois países.

A visita tem sido anunciada uma semana antes por jornais e pela televisão, com destaque para a delegação de empresários que acompanha o presidente. A imprensa considera o Brasil como um país de confiança e que está superando os problemas da pobreza com tecnologia de ponta, programas sociais e no combate à Aids. Na sexta-feira antes da visita do presidente brasileiro, a edição do semanário independente Savana, que sai todas às sextas, a chamada de capa dizia “Lula da Silva: a esperança dos doentes de Sida”. No sábado retrasado, uma matéria na contra-capa do jornal “Diário de Moçambique”, anunciava a vinda de Lula como um “reforço das relações de amizade e de cooperação que podem gerar investimentos e desenvolvimento a Moçambique”.

Segundo a imprensa moçambicana, Lula deve se encontrar hoje (terça-feira) com o presidente Joaquim Chissano, em Maputo, e depois deve visitar projetos que contam com a assistência técnica do Brasil. O presidente deverá assinar acordos complementares nas áreas de Educação, Saúde, Administração Estatal, Juventude e Desportos, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Agricultura, Recursos Minerais e Energia. Há expectativa de que uma parceria seja firmada entre o Laboratório Formaguinhos e o governo moçambicano para a instalação de uma fábrica de medicamentos anti-retrovirais, em Maputo, apesar de o governo brasileiro afirmar que existem dificuldades técnicas para que parte do resíduo da dívida moçambicana de cerca de 20 milhões de dólares com o Brasil possa ser usada na construção dessa fábrica.

Está prevista também uma visita do presidente a Tete, na região central, onde fica a mina de carvão de Moatize, a maior do país, localizada no Vale do Zambeze, que tem potencial de exploração estimado em mais 50 anos. De acordo com cálculos do governo moçambicano, os investimentos para a exploração do carvão e a reconstrução de 500 km de linhas férreas destruídas durante os anos de guerra são da ordem de 700 milhões de dólares. O investimento, somente na exploração das minas, com reservas estimadas em dez milhões de toneladas de carvão, é avaliado em 300 milhões de dólares.

O empresariado moçambicano está otimista quanto à possibilidade da Companhia Vale do Rio Doce fechar negócio no país. “Se o projeto de exploração do carvão sair do papel, surgirão muitas oportunidades de negócios paralelos”, diz Zaide Aly, presidente da Associação Comercial da Beira. Beira é a segunda maior cidade de Moçambique, com 500 mil habitantes, a 1.300 km da capital Maputo, onde está localizado um dos portos mais movimentados do país, ponto final da linha férrea que deverá ser utilizada para o escoamento do carvão.


*matéria escrita por mim no final de outubro de 2003. Será que o investimento brasileiro em Moçambique está dando resultados positivos?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Da série matérias não publicadas....

A seguir, trechos de uma matéria que escrevi há cinco anos antes de uma viagem de Lula à África e antes das eleições autárquicas em Moçambique. Pois bem, escrevi a matéria que seria publicada por um jornal de circulação nacional com sede em São Paulo. Tudo certo até o dia da publicação. O editor me avisa de última hora que não teria como me pagar pela matéria, mas que o espaço estava aberto se eu quisesse publicar o texto. @#$$%^^&&, pensei. E não publiquei não apenas pelo desrespeito profissional, mas também porque acho deplorável essa mentalidade de que é um favor que o jornal faz em dar espaço para uma matéria escrita a partir de Moçambique.
Cinco anos depois, aqui está. O assunto ainda gera polêmica.


Frelimo pode se beneficiar de visita de Lula

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Moçambique às vésperas das eleições municipais que acontecem no país no dia 19 de novembro poderá beneficiar os candidatos da Frente para a Libertação de Moçambique (Frelimo), principalmente nas regiões onde o partido de oposição Resistência Nacional de Moçambique (Renamo) teve maior adesão nas eleições presidenciais anteriores. A Frelimo é o partido do presidente moçambicano, Joaquim Chissano, conhecido por sua linha ideológica de esquerda. A análise é do articulista político do jornal independente moçambicano Zambeze, Alberto Paulo Chissico.

O motivo, segundo ele, é que a vinda de Lula e de mais uma delegação de empresários poderá ser utilizada na campanha política que se iniciou na terça-feira passada em favor da Frelimo. Segundo a lei eleitoral moçambicana, somente 15 dias antes da realização da votação os candidatos podem começar a campanha eleitoral, com showmícios e a divulgação direta aos eleitores de seus planos de governo. Estima-se que mais de dois milhões de moçambicanos irão às urnas no próximo dia 19, nos 2.688 postos eleitorais espalhados pelo país. Em Moçambique, o voto não é obrigatório, e todas as pessoas com mais de 18 anos, que possuem título de eleitor podem votar.

“Os moçambicanos confundem partido político com atividade de estadista”, diz Chissico. “Por isso, não ficarei surpreso se a Frelimo usar a visita do chefe de Estado brasileiro a seu favor, instigando o povo a achar que a Frelimo, como partido político, é que é a responsável pela vinda de Lula e dos empresários, e dos conseqüentes investimentos e empregos que isso possa vir a gerar”, afirma ele, que considera a visita muito positiva para Moçambique do ponto de vista econômico. A Frelimo diz que a visita de Lula coincidiu com a proximidade das eleições, mas que não interferirá na campanha política.

Essas são as segundas eleições municipais no país. As primeiras, realizadas há cinco anos, foram boicotadas pela Renamo, maior partido de oposição, que alegou à época que a legislação para a formação dos 33 municípios do país apresentava algumas inconstitucionalidades. Sem concorrência, a Frelimo elegeu todos os prefeitos.

Dessa vez, depois de mudanças nas leis, a Renamo está disputando as eleições em 32 dos 33 municípios. Em Mocuba, município do estado Zambézia, na região central de Moçambique, o candidato da Renamo José Manteiga foi impedido de concorrer às eleições pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) porque apresentou atestado falso de residência.

Segundo o jornalista Rodrigues Luis, do jornal independente Savana, os candidatos da Renamo teriam mais possibilidades de ganhar as eleições na região central e em alguns municípios do norte do país, onde o partido recebeu maioria dos votos nas últimas eleições presidenciais, em 1999. A imprensa local tem divulgado pesquisas eleitorais que apontam vitória da Renamo em 14 municípios do país. Se as previsões se confirmarem, será uma derrota política para a Frelimo e um forte indicativo de que, no próximo ano, quando se realizam as eleições presidenciais, o partido que sempre governou o país terá dificuldades para continuar no comando.

Oposição tem receio

A passagem de Lula por Moçambique tem motivado o ressurgimento de boatos sobre uma possível fraude nas primeiras eleições presidenciais em Moçambique, realizadas em 1994. Na ocasião, um instituto de pesquisa brasileiro foi contratado pela Frelimo para fazer as pesquisas de intenção de votos dos moçambicanos. Em todas as regiões, as pesquisas apontavam uma vitória esmagadora da Frelimo contra o candidato da Renamo, o que não se confirmou nas urnas em várias cidades.

Segundo a Renamo, o instituto de pesquisa brasileiro teria fraudado as pesquisas, o que teria ajudado a levar a eleição de Joaquim Chissano para a presidência do país. Em troca da contratação da empresa brasileira e da suposta fraude nas pesquisas, o Brasil receberia facilidades e benefícios para a exploração de alguns setores em Moçambique.

“Espero que a visita de Lula não seja uma opção política, mas econômica, de cooperação”, diz o dono de uma empresa de comércio de camarão vivo, Mario Barbito. “Se ele vem como camarada, a visita fica vazia. Que venha como presidente brasileiro. O interesse é de todos em ampliar os laços de cooperação entre os dois paises”, completa ele, que estuda a possibilidade de fechar um acordo com uma empresa brasileira na área de aquacultura.

Nas duas eleições presidenciais realizadas no país, em 1994 e em 1999, a Renamo alegou fraudes nos resultados, que deram vitória a Frelimo. Em 1999, o partido de oposição submeteu um recurso ao Tribunal Supremo na tentativa de invalidar os resultados das eleições, mas o recurso foi julgado improcedente.

Inconformada com os resultados, a Renamo liderou manifestações populares em todo o pais, que resultaram com a morte de policiais. Vários suspeitos de terem participado dos protestos foram detidos arbitrariamente, e 200 deles morreram numa cela por asfixia.

O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, afirma que não vai tolerar mais fraudes. Em caso de fraudes, ele diz que a Renamo irá governar mesmo que oficialmente não seja declarada como vencedora.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Deu na BBC para África


Para ler reportagem na íntegra, clique aqui.

Na segunda-feira, 7/7, ouça o Jornal da Manhã da BBC para África.

Para mais informações sobre o DVD, visite www.minibusmedia-dvdeleicoes.org.

Para solicitar um DVD, envie email para dvdeleicoes@gmail.com

terça-feira, 1 de julho de 2008

Serviço: informações em português

Queria abrir um parêntesis aqui para divulgar o serviço do Pambazuka News em português.
Visite http://www.pambazuka.org/pt/ e obtenha informações sobre a África em português.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Sociedade civil angola opina sobre Zimbábue

TOMADA DE POSIÇÃO DE ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL ANGOLANA SOBRE A SITUAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NO ZIMBABWE

Preocupadas com a situação dos Direitos Humanos e o Processo Eleitoral no Zimbabué, as Organizações da Sociedade Civil Angolana, subscritoras desta Tomada de Posição, realizaram a « 2.ª Conferência sobre a Democracia e o respeito pelos Direitos Humanos no Zimbabwe », no dia 10 de Junho de 2008, na sala Diamante do Hotel Alvalade, Luanda-Angola.

Participaram do evento membros e funcionários de Organizações da Sociedade Civil, representantes de algumas Embaixadas acreditadas em Angola, representantes de Organizações Internacionais em Angola, representantes de partidos políticos, um membro do governo angolano, jornalistas, estudantes universitários e activistas dos Direitos Humanos e uma Consultora de nacionalidade zimbabueana.

Depois da reflexão e discussão sobre os temas «O papel da diplomacia angolana no processo eleitoral e democratização do Zimbabwe», e «Uma perspectiva comparativa dos processos de democratização do Zimbabwe e de Angola», as Organizações da Sociedade Civil Angolanas participantes do evento chegaram as seguintes

CONSTATAÇÕES E RECOMENDAÇÕES:

1. Que há um agravamento de casos de violações de Direitos Humanos no Zimbabwé que se consubstanciam em assassinatos, detenções e prisões arbitrárias de todo o género, proibição do exercício do direito de reunião, opinião e associação, direito de circulação, privação de assistência médica e medicamentosa aos seropositivos e constantes intimidações de cidadãos que queiram exercer os seus direitos civis e políticos;

2. Que o processo eleitoral no Zimbabwe não está a respeitar as regras democráticas consagradas nas normas internacionais e da SADC;

3. Que há falta de espaço político para o exercício das liberdades fundamentais consagradas na Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos e nos Princípios e Objectivos da SADC e da União Africana;

4. Que há pouca eficácia das instituições Regionais Africanas na defesa e promoção dos direitos humanos no Zimbabwe.

5. Que existe um silêncio do Governo e do Chefe de Estado angolano no que concerne à situação dos direitos humanos e democratização no Zimbabwe.

6. Que existe uma inoperância dos deputados à Assembleia Nacional de Angola em relação ao questionamento ao Governo sobre o papel de Angola no processo eleitoral no Zimbabwe.

7. Que as experiências do processo eleitoral no Zimbabwe são diferentes do processo angolano, mas que é necessário aprender com os erros dos outros;

8. Que as soluções apresentadas para resolução dos problemas sociais e políticos sejam encontradas e efeitos da crise;

E RECOMENDA-SE:


1. AO GOVERNO DE ANGOLA

i) Que o Governo angolano na qualidade de líder da Comissão de Defesa e Segurança da SADC repudie publicamente os actos de violações dos Direitos Humanos no Zimbabwe de acordo com os princípios consagrados no acto constitutivo da SADC.

ii) Que o Governo angolano esclareça os cidadãos angolanos acerca da natureza do Acordo de Cooperação sobre Ordem Interna e Segurança entre Angola e o Zimbabwe e sobre a entrada em Angola do navio chinês que carregava armas para o Zimbabwe.

iii) Que o Governo angolano ponha termo à diplomacia do silêncio em relação à situação de crise reinante no Zimbabwe.

iv) Que sejam respeitadas as garantias materiais do livre exercício dos direito civis e políticos consagrados na Constituição e nas Convenções Internacionais dos Direitos Humanos antes, durante e depois das eleições em Angola.

2. ÀS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL ANGOLANA

i) Que continuem a denunciar todos os actos de violações dos Direitos Humanos no Zimbabwé, bem como a acompanhar o processo eleitoral zimbabueano in situ.

ii) Que continuem a manifestar a sua solidariedade para com o povo do Zimbabwé, para com a Sociedade Civil e para com os defensores dos direitos humanos zimbabueanos.

3. AO GOVERNO DO ZIMBABWE

i) Que respeite os Direitos Humanos consagrados na Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos, os princípios do Estado de Direito Democrático, os princípios e objectivos da União Africana e da SADC de acordo com os valores culturais, filosóficos e éticos de África.
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4. AOS CHEFES DE ESTADO DOS PAISES DA SADC

i) Encorajam os chefes de Estado da SADC a denunciar as constantes violações dos direitos humanos, a restrição do exercício dos direitos civis e políticos e apelam para o respeito pelas regras democráticas e da boa governação antes, durante e depois das eleições;

ii) Denunciam a “diplomacia do silêncio” dos Chefes de Estado da maioria dos Estados da SADC.

5. À UNIÃO AFRICANA

i) Que tome todas as medidas com vista a acabar com as constantes violações dos direitos humanos e preste todo o apoio ao processo democrático no Zimbabwé.
ii) Que envide todos os esforços para que se ponha fim às sanções aplicadas ao Zimbabwe.

As organizações
Conselho de Coordenação dos Direitos Humanos
Associação Justiça, Paz e Democracia

terça-feira, 17 de junho de 2008

O que é pobreza?

Na semana passada participei de um fórum de comunicação e sustentabilidade no qual a palavra pobreza foi repetida inúmeras vezes. Mas o que é pobreza? Será que podemos definir a pobreza somente do ponto de vista econômico como, geralmente, acontece?

Bom, eu sou fã de Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia há alguns anos. Aliás, estou relendo seu livro "Development as freedom" (Liberdade como desenvolvimento). Também sou fã do conceito "capabilities" (capabilidades), desenvolvido por ele e sobre o qual escreverei mais algum dia desses.

Estou mesmo curiosa para saber de você, leitor, qual sua definição sobre pobreza. Acho que a definição de cada um para pobreza é que ajuda a definir as diferentes maneiras de se pensar em desenvolvimento. Por isso, criei a enquete atual deste blog. As respostas são genéricas, mas podem ajudar a traçar uma definição da pobreza.

Vote, discorde, opine!

domingo, 15 de junho de 2008

Ele só quer é ser feliz

A maior preocupacao do menino José* no momento é o conserto da televisao do orfanato onde vive, em Nampula, Mocambique. A televisao esta quebrada ha quase um ano, mesmo periodo em que José recebe tratamento com antiretrovirais. O tempo, no entanto, nao parece uma barreira. Ele proprio se confunde ao indicar a sua idade. Suas respostas variam de cinco a dez anos. A diretora do orfanato, dona Cinira, como é conhecida, diz que José tem 12 anos, mas tem duvidas sobre a veracidade da informacao. O que é certo é que José é seropositivo desde seu nascimento.

Ha cinco anos ele vive no orfanato, que tem capacidade para 30 meninos. “As meninas orfas tem mais facilidade em conseguir moradia. Elas ajudam membros da familia com servicos domesticos, como buscar e carregar agua dos poços ate as casas, cozinhar e tomar conta de outras criancas menores. Assim acabam sendo mais aceitas que os meninos”, diz dona Cinira.

José, no entanto, sofreu a saga de tantos outros orfaos que vivem em Mocambique: rejeicao e estigma. Segundo os ultimos dados da Onusida, referentes ao ano de 2003, 470 mil criancas mocambicanas perderam pelo menos um de seus pais em decorrencia de Sida. Como José existem hoje mais de 90 mil criancas seropositivas em Mocambique. Seu tio, que é seu familiar mais proximo ainda vivo, mora ha cerca de oito quilometros do orfanato, em um dos bairros mais pobres da cidade. A casa nao tem energia eletrica nem agua corrente. Ele entregou o menino ao orfanato sob a alegacao de nao ter dinheiro para alimenta-lo. No entanto, tem duas mulheres, segundo Arnaldo, de 22 anos, que vivia no orfanato quando José foi morar la. “Ele chegou aqui muito fraco, mal conseguia andar”, conta Arnaldo, que nao sabe se tem algum membro da familia ainda vivo. Arnaldo foi deixado em um orfanato quando era muito pequeno – nao lembra a idade certa – durante a guerra civil que assolou o país por 16 anos, encerrada em 1992 com um acordo de paz entre o governo e a Renamo, hoje principal partido de oposicao mocambicano. Depois do fim da guerra, Arnaldo tentou todos os esforcos para encontrar a familia, desde anuncios na radio a divulgacao boca-a-boca. Nunca teve sucesso.

Ele é um dos poucos jovens do “centro”, como as criancas se referem ao orfanato, que sabem que José tem HIV/Sida. “José é doente, mas é uma crianca como outra qualquer. A unica diferenca é que ele precisa de alguns cuidados especiais”, diz Arnaldo, referindo-se ao tratamento com antiretrovirais.

Vitima mais do estigma que o HIV/Sida carrega do que da propria doenca em si, José luta a cada dia pela vida sem saber. Adora ir ao hospital porque é uma oportunidade de passear de carro. Esta na quarta classe e agora comecou a ter mais confianca em escrever e a ler. Estuda em uma escola a menos de cinco minutos a pe do orfanato. Por isso, é um dos primeiros a chegar para o almoco. “Hoje comi arroz e feijao. Quero muito comer carne”, diz ele, em uma tentativa de sensibilizar a reportagem para alcancar seu objetivo.
Segundo dona Cinira, ele sabe que é doente porque tem de tomar remedio diariamente, um comprimido pela manha e outro a noite. Mas a vitalidade que José carrega dentro de si faz a propria diretora se confundir. “Ele sabe que é doente, mas nao esta doente”, diz ela. “Apesar de estar em tratamento, José faz as mesmas coisas que as outras criancas do orfanato”, afirma. No ultimo ano, com o tratamento antiretroviral, José ganhou peso e altura, diz dona Cinira.

Foi no orfanato que José teve suas primeiras experiencias de integracao na sociedade. A voluntaria hungara Sarolta Banyia, de 23 anos, que trabalhou ali durante seis meses, diz que a evolucao de José é visível. “Antes ele nem conhecia a palavra ´carinho´e muito menos seu significado. Sempre se confundia com ´carrinho´”, diz ela. Agora, alem de carinhoso, José é tambem carismatico. Tem varios amigos no orfanato e na escola.

Ele tem ainda um pouco de dificuldade para andar. Uma de suas pernas parece ser maior do que a outra, o que o faz cambalear de um lado para outro quando se movimenta. A barriga grande, cheia de vermes, é motivo de orgulho para José. “Ele é pequeno mas come como ´big´”, diz seu amigo Augusto, de 11 anos. Segundo o professor de desenvolvimento da Universidade de East Anglia, em Norwich, Inglaterra, Mark Harrison, a sociedade é que torna uma pessoa deficiente. “A exclusao parte de fora para dentro e a pessoa acaba por internaliza-la. Quando o caso é o reverso, a inclusao e a consequente integracao acontecem naturalmente”, diz.

José foi ganhando seu espaco aos poucos. “Os outros meninos sabem que ele esta em tratamento, mas so os mais velhos sabem que doenca ele tem”, diz dona Cinira. José tem algumas regalias, como tomar leite e comer ovo em dia de peixe, alimento que ele nao gosta. Mas a sintonia entre as criancas supera qualquer tipo de preconceito ou ciumes. Os meninos sabem que José é um garoto especial. Nao é a toa que lhe dao prioridade para conversar com a reportagem por telefone. E ciente de seu poder de persuassao, José nao perde tempo: “precisamos de uma televisao”, diz. Afinal, ele é tao curioso pela vida como qualquer telespectador de telenovela.
*Os nomes dos entrevistados foram trocados para preservar sua identidade
**Esta matéria foi escrita por mim há um ano. Nunca foi publicada