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domingo, 23 de novembro de 2008

Dia da Consciência Negra

No último dia 20, comemoramos aqui no Brasil o Dia da Consciência Negra. Para mostrar um pouco da cultura africana para alguns amigos, resolvi fazer um jantarzinho em casa com o prato africano que conheço que mais gosto: matapa de couve com arroz de côco. Eu comia esse prato na escola onde dava aula, em Beira, Moçambique. Comi também alguns vezes no orfanato onde trabalhei. A matapa original, como na receita abaixo, é feita com camarão. Mas, por questões econômicas, a escola e o orfanato não compravam camarões. Por isso, resolvi fazer a matapa sem camarão também, que é a matapa que eu conheço e que me traz ótimas recordações.
Receita da Matapa
Ingredientes:
750 gramas de Amendoim cru
1 côco
1 kg de camarão seco ou caranguejo
1 kg de folhas de mandioca ou couve
2 litros de água
sal a gosto

Modo de preparo:
Pila-se o amendoim até ficar em pó e dissolve-se emcerca de meio litro de água. (sem a casca)Rala-se a polpa de coco e espreme-se num passador,juntando o pouco e pouco o restante litro e meio deágua de forma a extrair todo o leite ao coco. Junta-seeste leite de coco à água com o amendoim. Migam-se asfolhas de mandioca ou couve da grossura de pouco maisou menos de 2 cm. Cozinham-se as folhas de mandioca(sem água) durante meia hora. Se forem folhas decouve, acrescenta-se uma pequena porção de água paraque fiquem bem tenras.Num tacho, leva-se ao lume a mistura de leite de cococom a água de amendoim, e quando começa a ferver,juntam-se-lhe as folhas de mandioca ou couve etempera-se de sal. Por fim, juntam-se os camarões ou caranguejos já preparados e cozinhados e deixa-seapurar uma hora e meia em fogo brando.


Receita de arroz de côco
Ingredientes:
400 gramas de arroz branco e lavado;
600 ml de leite de coco;
Sal;

Modo de Preparo:
Coloque o arroz no fogo com pouca água e quando estiver pré-cozido acrescente o leite de coco e o sal a gosto e espere cozinhar; não esquecendo de mexer para não queimar.


Aí acima está o prato do dia: arroz de côco, matapa e caldo de pimenta com manga, receita que também aprendi em Moçambique.

A aparência pode não ser tão convidadativa. Acho que foi por isso que todos os presentes, sem exceção, disseram que não estavam com fome antes de provar.

Depois da primeira garfada, todos repetiram. Ainda bem!


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Quintas de Debates

A 5 de Setembro de 2008, realizaram-se as segundas eleições legislativas em Angola. As urnas deram a maioria ao MPLA, com mais de 80% dos votos.

O desequilíbrio político-partidário resultante e o novo figurino da Assembleia Nacional, traz grandes desafios à Sociedade Civil (SC) angolana.

Entender o que aconteceu nas últimas eleições e o que deverá ser feito a partir de agora para a consolidação de um verdadeiro processo democrático, obriga-nos a alargar o espaço de debate e de participação popular.

As instituições da SC devem assim, assumir-se perante o quadro político, incentivando a criatividade crítica, o diálogo, a abordagem honesta e actualizada.

Com a ideia de estimular o espaço de debate, o OMUNGA em colaboração com outras instituições da SC, decidiram levar a cabo um programa de debates consecutivos que terá o seu início a 13 de Novembro.

QUINTAS DE DEBATES pretende juntar diferentes visões sobre temas da actualidade como política, economia e sociedade.

Visite o blog do Quintas de Debates e participe!

sábado, 8 de novembro de 2008

Em construção...

Não dá para andar em Luanda sem esbarrar em alguma obra:



A grande dúvida, no entanto, é se a maioria da população vai poder usufruir ou como irá usufruir do desenvolvimento econômico do país.
As imagens abaixo são de condomínios recém-inaugurados em Luanda, no estilo Alphaville de ser. Não sei se é verdade, mas ouvi boatos que várias das casas são abastecidas por caminhões que carregam água mineral. Detalhe: essa água não seria apenas para beber e cozinhar. Seria água para tomar banho, regar as plantas... Será que é verdade mesmo?




Sabe que essa forma desordenada e excludente de Luanda crescer me lembra Brasília! Essas casas aí de cima poderiam estar no setor de Mansões Isoladas, por exemplo.


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Vida de voluntária - mais um diário de bordo

Escrevi o email abaixo em junho de 2003, quando ainda estava na Europa, me preparando para ser voluntária em Moçambique. É mais um capítulo da vidinha de voluntária.

Oi, pessoal, tudo bem? Ja se foram tres meses,e e por isso que meu terceiro diario de bordo esta aqui, fresquinho para cada um de voces. Estou em Copenhague, na Dinamarca, onde vou morar por um mes. Estou dando aulas para refugiados do Iraque, da Somalia e do Ira. Esta sendo uma experiencia muito boa e, o melhor,ainda ganho pra isso. So que o dinheiro vai todo para a minha viagem para a Africa. Fazer o que, ne? Volto para a Inglaterra no fim de junho. Vim para ca para participar de um campeonato de teatro eresolvi ficar (Para quem nao lembra, sou tambem atriz agora). A peca foi Lysistrata, de Aristofanes. Conta a historia de algumas mulheres gregas que decidiram fazer greve de sexo para que seus maridos deixassem de participar da guerra. E uma comedi a muito engracada.Meu personagem era Ismenia, uma mulher que tentou fugir da Acropoles,local onde a ala feminina se reuniu durante a greve, fingindo que estava gravida. A peca estava muito boa. Ficamos em terceiro lugar.

A Dinamarca e muito bonita - e limpa, acima de tudo. Quando cheguei,fiquei em Juesmilde. E uma cidadezinha tao limpa que passou pela minha cabeca a necessidade de ter de tirar o sapato para pisar na rua. Mas agora ja estou mais acostumada. Aqui quase todo mundo fala ingles e tem uma bicicleta. Tentei dar uma volta por Copenhague em uma bike gratis que os turistas podem utilizar, mas nao deu: minhas pernas sao muito curtas para as bicicletas de gigantes que eles tem aqui. Culpa dos baixinhos la de casa. Nesse ultimo mes, muita coisa aconteceu. Fui para Londres, fiz o teatro, li alguns livros sobre Mocambique, trabalhei para o British Council. Londres, alias, e uma cidade maravilhosa. Cidade grande, cheia de historia, onde e possivel encontrar gente de todo o mundo. Como era de se esperar, o clima de guerra era inexistente. A cidade e tranquila, ainda mais se comparar com quem esta acostumado a Sao Paulo. Os guardas nao andam nem com arma de fogo. No fim de junho e comeco de agosto vou tirar ferias. Dai vou aproveitar para dar uma passeada pela Italia,Espanha, Portugal, Franca e Belgica. Ja sei que voces devem estar seperguntando como, onde, porque etc. Aqui na ONG todo mundo tem direito a ferias de sete dias. Mas, sou brasuca, e consegui dar uma prolongada. Vou num esquema bem barato se comparado com o padrao continental: aviao com desconto, onibus, trem. Durmo em albergues e entro nas atracoes na faixa com a apresentacao da carteira dejornalista. >Minha vida deve estar parecendo uma maravilha. Mas nao e nao. Ja tive alguns choques culturais como ter de pagar para ir ao banheiro dentro de um shopping center em Liverpool, nao ver mendingona rua na Dinamarca, e ter de acordar as 6h da manha para dar aula.Mas esses sacrificios compensam. Sempre tenho saudades das farras noBrasil, da carne, do clima. O tempo em Copenhague na semana passada estava excelente. Deu ate para lembrar do Nordeste. Um calorao de 18a 20oC e sol. Peguei uma praia. Estou super bronzeada.

Tenho de ir agora. Escrevam contando as novidades. Leio todos os e-mails. Quando voces vem me visitar?

Beijao, Mirella

sábado, 1 de novembro de 2008

Duty free shop na Unesco

Estou eu na minha sala na sede da Unesco em Paris quando escuto a menina que trabalhava comigo comentar que o duty free shop estava com algumas promoções. Eu, ingenuamente, fiquei pensando: será que ela está falando do duty free do aeroporto? Mas daí ela continua: "dei um pulo lá na hora do almoço". Ué, pensei eu, fingindo que não estava escutando a conversa alheia.

Alguns dias depois, há cerca de um ano, minha chefe comenta comigo que eu deveria comprar o vinho da Unesco para levar para a minha família. "Mirella, aqui é o único lugar do mundo onde você pode comprar esse vinho. Ele é ótimo e é bem barato." E um balãozinho saía da minha cabeça: "vinho da Unesco? Será que dão para os funcionários no Natal?". Eu conhecia a lojinha da Unesco, onde é possível comprar as publicações da organização, canetas, selos e lembrancinhas. Com certeza a lojinha não é administrada por nenhum brasileiro, já que não vi nada com os dizeres "estive na Unesco e lembrei de você".

Mas, voltando ao assunto, tive que perguntar a Anna Maria, a chefe: "Mas onde eu encontro esse vinho da Unesco?." A resposta me pegou de surpresa: "No duty free da Miollins". Miollins é o endereço de outro prédio da sede da Unesco, em Paris. Sim, isso mesmo, dentro da Unesco há um duty free shop onde os funcionários podem comprar coisas que se vendem em um duty free de aeroporto: cremes, bebidas, eletrônicos e outros trecos, além de garrafas de vinho com o rótulo da Unesco. Será que você, leitor, está pensando o mesmo que pensei naquele momento? Não acredita?

Eu tive que ir ao duty free para ver com meus próprios olhos. Eu não acreditava - ou não queria acreditar - que havia um duty free em um lugar como a Unesco e muito menos que havia garrafas de vinho produzidas especialmente para a organização. Mas é verdade. Fui ao duty free e estava bombando. Várias carinhas conhecidas dos corredores da Unesco passam por lá diariamente. São os mesmos que tomam decisões que afetam a vida de milhares de pessoas no mundo todo. Não que eu ache que uma pessoa que trabalha com desenvolvimento tenha que se privar de fazer compras, por exemplo. Mas as compras não precisam estar lá escancaradas no ambiente de trabalho, no horário de trabalho, e ainda sem a cobrança de impostos. Vi gente literalmente "limpando" a ala das bebidas. Época de Natal, só mesmo tomando muito vinho da Unesco para comemorar. O pior é que tenho que confessar que comprei uma garrafa de vinho. Tinha que mostrar para minha família que não estava inventando história. Paguei uns 15 euros, se não me engano, o que não é tão barato assim para um vinho na França, como minha chefe me havia dito. Mas deve ser porque ela é chefe na Unesco e, quem conhece os salários da ONU, sabe que 15 euros é dinheiro de pinga!