Vídeos produzidos por Minibus Media

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quarta-feira, 28 de maio de 2008

DVD educativo sobre eleições é distribuído gratuitamente em Angola

Instituições engajadas em educação eleitoral podem ter acesso ao vídeo "Angola rumo às eleições legislativas"; interessados devem enviar email para dvdeleicoes@gmail.com

O vídeo educativo "Angola rumo às eleições legislativas" será distribuído gratuitamente para instituições angolanas que trabalham com educação eleitoral. O vídeo foi produzido durante um treinamento em vídeo-participativo coordenado pela consultoria Minibus Media para a brigada de jornalistas do Omunga. O objectivo principal do vídeo é trazer informações sobre o processo de democratização de Angola com foco nas próximas eleições legislativas. Em 20 minutos, o espectador pode tirar suas dúvidas sobre o voto, sobre a Assembleia Nacional, sobre o trabalhado da Comissão Nacional Eleitoral e sobre democracia. O vídeo está disponível em DVD em seis línguas: português, chokwe, umbundo, kimbundo, kikongo, kwanyama. Ele acompanha ainda um manual do facilitador que traz sugestões de actividades de sensibilização que podem ser desenvolvidas nas comunidades com base nos assuntos abordados. O projecto foi financiado pela Christian Aid, Cordaid, Trôcaire e Embaixada dos Países Baixos em Luanda. Instituições interessadas em obter uma ou mais cópias do DVD devem entrar em contacto pelo email dvdeleicoes@gmail.com.

Para a produção do vídeo, os brigadistas do Omunga entrevistaram representantes da Assembleia Nacional, da Comissão Nacional Eleitoral, membros da sociedade civil angolana e especialistas em democracia e eleições, além de cidadãos comuns. "Percebemos que as dúvidas das pessoas que entrevistamos na rua eram as mesmas que as nossas", diz Isabel Paulo, brigadista do Omunga. "É a primeira vez que muitos de nós angolanos podemos votar. Por isso, precisamos nos informar melhor para poder votar com consciência", diz o também brigadista Bernadino Jimbi. Para o brigadista Edson Cardoso, o processo de treinamento para a produção do vídeo foi além de suas expectativas: "aprendi não apenas sobre técnicas de vídeo e de jornalismo, mas também sobre o processo de democratização de meu próprio país", diz. As discussões sobre política também motivaram o brigadista Jesse Lufendo: "nós, jovens, precisamos refletir sobre as questões de governação para podermos pensar e participar da reconstrução de Angola."

Segundo o coordenador do Omunga, José Patrocínio, o objectivo do vídeo é motivar o debate sobre o processo eleitoral nas comunidades. É por isso que o vídeo foi traduzido do português para cinco línguas nacionais. "Todos têm direito à informação. Só assim podemos votar com consciência", diz Patrocínio. A jornalista Mirella Domenich, da Minibus Media, diz acreditar que um dos pontos fortes do vídeo é sua linguagem clara e acessível. "Como o vídeo foi produzido por jovens angolanos, temas complexos foram tratados de maneira que eles próprios entendessem", diz Domenich. "Esse é um dos elementos-chave na produção de um vídeo-participativo e na implementação do jornalismo cidadão", completa. H.-Christian Goertz, cinegrafista da Minibus Media. De acordo com Goertz, a maneira como as entrevistas foram gravadas e as imagens capturadas para a produção de "Angola rumo às eleições legislativas" aproximam o espectador dos temas abordados no vídeo. "A linguagem jovem tem o poder de cativar o espectador", diz, lembrando ainda que a trilha sonora do vídeo foi produzida por rappers do Movimento de Rua.

Para a jornalista Cristiane Vieira, da Minibus Media, que esteve pela primeira vez em Angola, é essencial que mais vídeos como esse sejam produzidos. "Percebi que há um abismo entre os que têm acesso à informação e os que não têm e que assuntos fundamentais para a construção democrática são ainda pouco debatidos por cidadãos angolanos", diz Vieira. Domenich ressalta que no estágio de desenvolvimento em que Angola se encontra, o jornalismo tem de ser antes de tudo educativo e participativo.

Para mais informações, visite www.minibusmedia-dvdeleicoes.org.

Para solicitar o DVD, envie email para dvdeleicoes@gmail.com.

domingo, 25 de maio de 2008

Diamantes vs. xixi

Antes que eu volte ao tópico sobre trabalho voluntário, não podia deixar passar aqui uma lembrança que tive. Acabei de voltar de Macapá, no norte do Brasil, onde tive um flashback do aeroporto em Luanda. Tanto no aeroporto de Macapá quanto no de Luanda, o check in é feito depois de os passageiros passarem pela polícia. Ambos são super abafados. E, em ambos, o passageiro que tiver fome, tem de passar pela barreira da polícia de novo para ir à lanchonete, que fica do lado oposto ao check in.

Apesar dessas semelhanças, duas coisas são bem diferentes: os diamantes e o banheiro (ou casa de banho). Na minha última viagem a Angola, tive que enfrentar o banheiro do aeroporto de Luanda. Estava enrolando, louca para que o avião chegasse na hora e que eu não precisasse utilizar o banheiro do aeroporto. Aproveitei o tempo para dar uma olhadinha na loja de diamantes. Nunca tinha visto um diamante tão de perto. Aliás, havia um colar de diamantes que custava 140 mil dólares. Enchi os olhos, mas tinha que esvaziar a bexiga. Foi daí que fui ao banheiro.

O banheiro masculino estava interditado para reforma. O feminino não, mas deveria. É daí que entro no banheiro, mais da metade das luzes não funcionava, não havia janela, mas havia muito homem. A primeira porta do banheiro estava encostada. Abri e tinha um homem fazendo xixi. A segunda porta também estava encostada. Abri e tinha outro homem fazendo xixi. Enfim, na terceira tentativa, abri e não encontrei ninguém. Ninguém, nem nada. Não havia água, nem papel higiênico, nem iluminação. Cheirava xixi. E para imitar os homens, também tive que deixar a porta encostada para aproveitar o facho de luz que vinha de fora. Ou seria impossível achar o vaso sanitário. Nessas horas, acho que a falta de luz foi até estratégica. Se o último pingo do xixi do homem sempre cai na tábua, mesmo quando há luz, imagina a situação do banheiro depois de seu uso por homens e sem iluminação! Só para constar, a maioria dos usuários do banheiro era homem. A explicação é que a maioria absoluta dos passageiros era de homens. A TAAG, companhia aérea angolana, é praticamente uma sucursal aérea da Odebrecht. Há até check in separado para os funcionários da empresa brasileira.

Bom, fiz xixi, saí do banheiro e voltei para a sala de embarque. No caminho, passei pela loja de diamantes. Pensei comigo mesma: o aeroporto é reflexo dos paradoxos de Angola. Enquanto um colar de 140 mil dólares está à venda (logo deve haver comprador), o banheiro está um caos.

Se alguém me contasse essa história, não sei se conseguiria acreditar. Mas, infelizmente, é verdade.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Vida de voluntário I

Uma amiga me enviou um email há uns três dias me perguntando sobre como cheguei à África para fazer trabalho voluntário. Só para esclarecer para quem não sabe, fui à África pela primeira vez, mais precisamente para Moçambique, em 2003. Lá trabalhei como voluntária. Dei aulas de inglês e de cidadania em uma escola pública, coordenei um projeto de inserção social para crianças órfãs cujo pelo menos um dos pais morreu em decorrência de HIV/Sida e fui uma espécie de professora, amiga, monitora em um orfanato. Vivi sempre em Beira. Trabalhei lá e também em Dondo.

A pergunta dessa amiga também foi minha pergunta durante anos antes de eu finalmente realizar meu sonho. Como recebo com frequência emails e recados no orkut sobre esse assunto, vou tentar deixar posts neste blog que possam ajudar quem tiver interesse em trabalho voluntário na África.

Abaixo estão os emails que troquei com essa amiga:

"Oi Mi, tudo bem?

Te escrevo porque queria uma dica sua. Vc já ouviu falar de uma organização chamada CCTG - Campus Califórnia TG?

Eles ficam em Etna, extremo norte da Califórnia, e desde 2000 formam voluntários no programa de formação de Instrutores de Desenvolvimento. Após a realização deste curso, que dura 6 meses, os voluntários são enviados para a África para participar de programas ligados à educação e ao controle do HIV, bem como para prestar assistência a crianças em situação de risco. O site deles é
http://www.cctg.org/.

Queria saber se os caras são sérios/confiáveis..."



Minha resposta:
"Já ouvi falar, sim, deles. Aliás, foi com eles que fui voluntária na África, mas meu treinamento foi na Inglaterra.Olha, eu não me arrependo de ter ido, realizei o sonho da minha vida, mas te digo que penei muito com eles. Primeiro porque quase nada do que foi combinado foi cumprido no treinamento na Inglaterra. O "treinamento" é mais um fundraising. Não há pessoas capacitadas para treinarem ninguém. Eu aproveitei o tempo e estudei bastante por minha conta. Por isso que foi proveitoso pra mim. Acho que depende de cada pessoa.É também uma super experiência ter vivido nos confins da Inglaterra, com 40 pessoas, e fazendo todas as tarefas que tive que fazer: ex. cozinhar para essas 40 pessoas. Foi um esquema meio exército, foi difícil, mas aprendi muito.
Na África, aproveitei bastante e desenvolvi um trabalho bem legal. Mas dependeu mais uma vez de minha própria vontade porque o projeto era bem desestruturado e dependia mais de vontade própria do que de qualquer outra coisa. E isso foi uma tristeza enorme porque quando saí, meu projeto não continuou. Mas, enfim, hoje sei que esse problema não é apenas deles, mas de várias outras ONGs que trabalham na África.Também tenho muitas dúvidas quanto à honestidade deles em questões financeiras. Mas, de novo, não é nenhum privilégio deles isso.Eu acho que como última opção eu iria. Mas tenta achar outras coisas. Se não encontrar, vai. O máximo que pode acontecer é você voltar pra casa. Eu quero muito voltar pra África."

domingo, 18 de maio de 2008

"Não se pode falar de educação sem amor"

Hoje estava revendo algumas fotos que tirei em Moçambique. Tentei falar com as crianças do orfanato, mas já passam das 17h lá e ninguém atendeu a ligação. É lembrando das crianças que reproduzo aqui a frase de Paulo Freire, com a qual concordo plenamente:

"Não se pode falar de educação sem amor"

E continuo:
"Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade."
É claro que não sou intelectual e nem é preciso ser para brigar pela justiça social e se indignar com qualquer forma de assistencialismo. A educação pode, sim, e deve ser transformadora.

Ficam aqui imagens e lembranças de uma educação feita e recebida com amor, uma troca de experiências, de idéias e de lutas para o desenvolvimento.



quinta-feira, 15 de maio de 2008

Kuduru ou Kuduro ou Cuduro?

Bom, não sei como se escreve, se é kuduru ou kuduro. Só sei que é um ritmo musical angolano que, diga-se de passagem, ouvi mais em Moçambique do que em Angola. Também nunca consegui uma resposta convincente sobre o nome do ritmo. Mas aqui deixo minha teoria sobre o assunto: o nome é esse porque para dançar é preciso acompanhar as batidas com passos bem marcados, elevando e descendo um pouco as pernas, mas mantendo sempre o cu duro! Cu em Angola é sinônimo para bumbum. Enfim, teorias à parte, abaixo segue uma foto das crianças com as quais trabalhei em Beira, Moçambique, dançando kuduro. Quem embala o som é o DJ Timóteo Chipanela, meu amigo, gente boníssima que, naquele dia em março de 2004, fez a discotecagem de minha festa de despedida no orfanato. Simplesmente uma das melhores festas da minha vida.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Museu da Escravatura em Luanda


“Somos descendentes de escravos. Somos a prole de homens e mulheres com dignidade e honra, duma história rica e nobre, mas também somos os herdeiros de um passado doloroso de exploração. Eu não me envergonho disso. Envergonho-me, sim, daqueles que foram tão pecaminosos que nos fizeram escravos.”

A citação acima, de Martin Luther King Jr., datada de 1967,
dá as boas vindas ao visitante do Museu da Escravatura, em Luanda, Angola.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

As pérolas do SBT

Nem deveria perder tempo com isso. Mas não dá para não comentar. Na quinta-feira passada, lá vou eu de novo, tonta, assistir ao SBT Repórter. Afinal, seria um programa inteiro dedicado aos países de língua portuguesa. Eis que, mais uma vez, tenho uma tremenda decepção com o jornalismo da TV brasileira.

Primeiro, o programa foi mais do que superficial e tentou passar a imagem, a meu ver, de que nós brasileiros influenciamos todos esses países. Que somos amados, conhecidos, admirados pelos outros países de língua portuguesa. Bom, até pode ser verdade. Mas acho que faltou um mínimo de auto-crítica. Afinal, deve haver algum problema muito grave de educação e de informação no Brasil em relação aos outros países lusófonos. Porque se habitantes desses outros países sabem bem mais sobre o Brasil do que sabemos sobre eles, há alguma coisa errada por aí.

E isso, infelizmente, é tão verdadeiro que até o programa do SBT cai em erros primários. Estava na cara que eles requentaram o programa que já deve ter sido exibido há uns bons anos. Mas o pior é que não avisaram os telespectadores que continuam acreditando que o Timor-Leste ainda não é um país independente (pois é, o programa se referia ao Timor-Leste como um território da Indonésia), ignorou que Angola participou da Copa do Mundo pela primeira vez em 2006 (afinal, segundo o programa, os angolanos torceram para o Brasil na Copa. Deve ter sido nas Copas anteriores) e não mencionou em nenhum momento a influência de línguas nacionais de países africanos na própria língua portuguesa do Brasil. Se fosse me basear no programa, teria a impressão que apenas nós influenciamos os outros.

Enfim, mais uma vez o jornalismo do SBT representa um fiasco que só serve para perpetuar nossa ignorância em relação ao mundo lusófono.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Se tem tu, vai tu mesmo!

Linda, uma amiga islandesa, que trabalhou como voluntária no Malauí, estava de malas prontas. Ela ia passar férias no Quênia. Eu e Chris fomos acompanhá-la da vila onde morávamos em Yassini, no estado de Chiradzulu, no sul do Malauí, até Blantyre, capital econômica do país, onde ela pegaria o vôo até Nairobi.

Pois bem: Yassini não era tão longe de Blantyre. Dava cerca de uns 20km. Não era tão longe se tivéssemos carro. Como não era o caso, sempre dependíamos dos mini-ônibus. Tínhamos que pegar uma van até Limbe e depois outra até Blantyre. Se a van não quebrasse no meio do caminho ou se não acabava a gasolina, chegávamos em cerca de uma hora.

O problema é que as vans viviam lotadas e a mala de Linda era mesmo uma mala. Só estava atrapalhando. Veja só:


Aí, não deu pra escolher. Se tem tu, vai tu mesmo. E lá fui eu, Linda e Chris até Blantyre, sentados sob as espigas de milho da foto abaixo. Pelo menos o dono do carro deve ter feito sucesso com a pasta de milho ou a pamonha que deve ter sobrado na caçamba do carro! (dá uma olhada no canto direito da foto. Meu pezinho está lá. Eu era a próxima da fila a pagar o mico).

domingo, 4 de maio de 2008

Um angolano na Suécia I

Abaixo, transcrevo um email que Jesse, angolano, vídeo-jornalista cidadão e meu aluno (diga-se de passagem e com orgulho), me enviou. Ele e Edna estão na Suécia fazendo um treinamento em vídeo-participativo, como já contei aqui. O meu pedido foi o seguinte: conta como foi passar o Dia do Trabalho aí na Suécia.

Com a palavra, Jesse:
Sim, aqui houve muita coisa boa no dia Internacional do Trabalhador. A Suécia festejou diferente do que tenho visto em Angola ou em Benguela. Nesse dia, Angola apresenta empresas públicas ou privadas, mas aqui na Suécia manifestaram-se os estrangeiros redidentes e não só, mostrando o grande desagrado pela política actual a nível do mundo. Abodal (não sei escrever bem o nome dele, apenas sei que está condenado a prisão perpétua e é do paquistão), os seus apoiantes mostram o desagrado pela prisão que, segundo conversa que tive com um paquistanês, esse ano completa 9 anos. Houve protesto contra a secretária de Estado dos Estados Unidos da América, Condolezza, contra Bush, contra o primeiro ministro sueco e contra o partido da direita. Quase todos países da América Latina e da Ásia estavam representados. Lamento o facto que África não estava bem representada. Nas ruas podia-se comprar bandeira do Brasil, Colombia, Polonia, Bolívia, Cuba, Argentina e de tantos outros países europeus e americanos, mas nem um país África tinha sua bandeira na rua. Esqueceram do Berço da Humanidade. Estive lá, mas não tinha nenhum símbolo de Angola.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ativismo angolano pela paz

Acabo de receber o email abaixo com uma informação importante sobre a descarga de um navio chinês no porto de Luanda. Segundo a imprensa, o navio traria armamentos para o Zimbábue. Em tempo: hoje a Comissão Eleitoral do Zimbábue anunciou que haverá segundo turno nas eleições presidenciais do país. A votação aconteceu no dia 29 de março, mas os resultados, contestados pela oposição, foram divulgados apenas há algumas horas.

DECISÃO DO TRIBUNAL MARÍTIMO
O Tribunal Marítimo de Luanda proíbe a descarga de qualquer mercadoria do navio chinês destinada ao Zimbabwe e ordena o Porto de Luanda a fiscalizar toda a descarga. Autoriza também que a descarga seja verificada pela organização que promoveu a providência cautelar. O navio chegará à Luanda na próxima segunda feira, 5, e o Gabinete Jurídico do Porto de Luanda contactará o Conselho de Direitos Humanos da Sociedade Civil para acompanhar a descarga, constituindo fiscais.Provavelmente, pela primeira vez um Tribunal dentro dos prazos legais dá uma resposta a uma petição da sociedade. Passo importante para caminharmos para um verdadeiro estado de direito. Segundo a Voz da América um jurista angolano tentou contrariar a validade da providência cautelar, mas o Tribunal achou procedente tendo em vista o interesse social da causa.

Para saber mais sobre, clique aqui.