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segunda-feira, 28 de abril de 2008

Parabéns, criançada!

Hoje é meu aniversário. Ufa! São 30 aninhos. Mas não é bem sobre o meu aniversário que quero falar. Afinal, eu tenho família, sei o dia, o ano, o horário e até o local onde nasci. Em Moçambique, deparei-me com uma realidade bem diferente da minha. Trabalhei durante seis meses em Beira e no Dondo com um projeto com crianças órfãs cujo pelo menos um dos pais tinha HIV/Aids. Eram 120 crianças em três comunidades diferentes. A maioria delas não tinha registro de nascimento. É a essas crianças que dedico este post.

Minha missão no projeto era identificar as crianças, descobrir a data de nascimento e o nome dos pais para levar os dados à Ação Social, que faria o registro delas. O processo era sempre o mesmo. Ia à casa da criança e perguntava para um dos familiares, geralmente um dos avós, a idade da mesma. Eis que minha surpresa foi que a maioria dos familiares não se lembrava o ano de nascimento da criança. Nesses casos, o segundo passo era perguntar à própria criança a idade dela ou a idade que ela achava que tinha. Quando obtinha uma resposta, perguntava para o familiar se ele achava que a idade era aquela mesma. Em todos os casos houve concordância. Quando a criança não sabia a idade, usava outra técnica. Perguntava a idade das crianças amigas. O problema era que muitos dos amigos também não sabiam sua própria idade. Uma outra possibilidade era verificar em que série a criança estava. Mas esse se mostrou um método ineficiente. Ou a criança não estava estudando, ou na mesma classe havia crianças com até cinco anos de diferença para mais ou para menos.

Se todas as alternativas falhassem, a saída era mesmo advinhar uma idade aproximada. Depois de uma conversa com a família e com a criança, chegávamos a um consenso sobre o ano de nascimento. O próximo passo era o dia e o mês. Já que ia fazer o registro, tinha que ser completo. Era nessa etapa que eu era mais requisitada. Tanto crianças como familiares me pediam uma opinião. Dia 28 de abril na cabeça. Parabéns, criançada! No dia de hoje, mais do que o aniversário, vocês comemoram o seu direito à cidadania.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Viva o Barretinho!


Não podia perder a deixa que a novela das oito de ontem, Duas Caras, proporcionou. Depois do casamento de Barretinho com Sabrina (foto ao lado), o filho do advogado rico decidiu morar na Nigéria com a esposa. E, além disso, vai dar entrada ao pedido de cidadania nigeriana.

Bom, daí fiquei pensando. Nós, brasucas, somos loucos por encontrar alguém na árvore genealógica que veio da Europa para dar entrada no pedido do passaporte europeu. Eu também já cai no erro. Dei entrada no pedido de passaporte italiano há uns dez anos. É claro que não tenho o passaporte em mãos e já desisti de tentar. É uma situação ridícula ter que ficar implorando por um direito. Acho que é possível, sim, conseguir o que se quer sendo brasileira. Até hoje foi assim!
Eu tenho mesmo é curiosidade de saber quantos de nós já tentamos conseguir passaporte de algum país da África, país de origem de muitos de nossos ancestrais. Posso estar enganada, mas acho que não muitos. E também nem sei se seria possível conseguir tal passaporte porque até mesmo para angolanos e para moçambicanos, por exemplo, conseguir o bilhete de identidade é bem demorado e trabalhoso. Outro dia mesmo encontrei com uma angolana que demorou 17 meses para conseguir o bilhete de identidade. E pela nova lei, inclusive, teve de identificar a cor de sua pele no BI (bilhete de identidade). As opções em Angola são branca, preta e mista.

Eu bem que queria saber se tenho ou não algum ancestral africano. Inegável, no entanto, é o nosso jeito de se comportar bem africano. Vou fazer um comentário sobre isso no futuro. Mas voltando ao assunto anterior, confesso que achei bárbara uma matéria da BBC Brasil que foi publicada no ano passado. Foi uma análise de DNA de pessoas famosas para mapear suas origens africanas. Para ler a matéria, clique aqui.