Em doze horas deixo minha casinha em São Paulo rumo a Bissau. Na verdade, a essa hora eu deveria estar terminando de colocar umas cositas na mala, mas vou dar aquele intervalinho restaurador. Nusss, que desespero olhar pras malas.
Eu ia levar uma mala grande e uma pequenininha. Mas fui colocando as coisas e o total resultou em duas malas grandes, uma com uns 30kg e outra com uns 27kg. Ainda bem que não pesam o passageiro e, por isso, não pagarei excesso de bagagem...heheh
Mas, enfim, da primeira vez que fui pra África levei uma mala de 18kg. MAS, eu era sete anos mais nova, não ia trabalhar na ONU e achava que conseguiria comprar acetona por lá.
Hoje já passei dos trinta e por cinco países africanos. Nem lembro se tentei comprar acetona, mas já tentei comprar condicionador, por exemplo, e nem sempre encontrei. Ou comprar um queijo, ou água com gás, ou um refri light.... Não é em todo lugar que se encontra toda coisa.
Então resolvi montar meu kit primeiros socorros:
- liquidificador
- panelas
- talheres
- copão pro suco verde
- toalha que seca rápido (tem pouco algodão)
- CD com curso de canto
- alguns filmes
- kit Herbalife (tks, Crica!)
- impressorinha de fotos
- livro de francês
- bola de Pilates e sua bombinha]
- dois travesseiros
- bolinha de massagem
- cremes e mais cremes
- lixeira ecológica e poética
- fotos
- até um Fom tá lá
etc...
Bom, decidi: já que posso levar duas malas de 32kg cada, vou levar e montar uma casa lá com a minha cara. E o melhor é que depois de carregar isso tudo, vou ter seguro saúde, caso precise de um ortopedista...rs
Uma coisa é certa: sei que é possível viver sem tudo isso. A maioria da população de Guiné-Bissau provavelmente não terá na vida inteira o que eu estou levando nessas duas malas. Isso é cruel demais. Mas, de coração, espero que o que de mais valioso que estou levando, seja realmente transformador - que é a vontade de fazer acontecer e de que meu trabalho gere mesmo resultados que afetem positivamente a vida das pessoas.
Até Bisau!
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Cebolinha firme e forte
Hoje liguei pra Moçambique com aquele friozinho na barriga que me dá toda vez que ligo pro orfanato.
A última vez que falei com Cebola foi no Natal. Sabia que não iria falar com ele, pois desde maio ele e todas as crianças foram reinseridas em suas famílias. E o friozinho na barriga aumenta toda vez que lembro disso. Pessoalmente, eu acho que a Cruz Vermelha, que administrava o orfanato, tomou a decisão correta. Mas o meu medo era ter notícias que não fossem boas. No final de 2004, Cebola foi passar férias na casa do tio e não havia dado certo. Passou necessidades.
Enfim, dessa vez liguei, pois queria garantir notícias antes de ir para Bissau uma vez que não sei se conseguirei ligar via skype para o telefone fixo do orfanato, já que a conexão com a internet não é boa em Bissau.
Consegui falar com d. Deolinda, diretora do orfanato. E para minha felicidade ela reclamou bem menos do que das outras vezes que eu havia falado com ela. Disse que a reinserção de algumas crianças tem sido difícil, mas não se queixou tanto como antes. Falou que Cebola está feliz com o tio e, o mais importante, está saudável. Mas minha coragem não foi além: não perguntei se ele está na escola, pois tenho medo da resposta.
Ela visita as crianças semanalmente. Não tinha um telefone de contato para que eu pudesse falar com Cebola, mas me garantiu que se eu ligar em 15 dias, irá providenciar o celular do vizinho da família dele.
Como o tempo de lá é diferente do daqui, tenho esperança que conseguirei falar com Cebola ainda este ano.
A teacher tá morreeeeeendo de saudades!
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Contagem regressiva
Ainda me lembro de um sábado em setembro de 2002, quando fui à uma palestra em São Paulo sobre um programa de voluntariado na África. Àquela época, o jornalismo diário, instantâneo e superficial já me cansava. Queria novas emoções. Queria viver a reportagem em detalhes, com profundidade.
Ainda me lembro quando saí da reunião decidida: iria participar daquele programa de voluntariado. Pedi cem dólares emprestados para meu pai para me inscrever no programa, mesmo achando estranho e suspeito ter de pagar por tal programa. Mas tinha um feeling de que valeria a pena apostar.
Ainda me lembro daquele 23 de setembro de 2003, quando estava em Londres, a espera do avião que me levaria para Joanesburgo, na África do Sul. Era a primeira vez que seguiria para a África, para realizar um sonho de infância: conhecer a África dos africanos. De lá, segui direto para Beira, em Moçambique, primeira cidade africana onde vivi, e cuja história registrei um pouco aqui.
Ainda me lembro quando seis meses depois embarquei rumo ao Malawi, numa viagem de um dia, entre ônibus, caminhada, lotação. Sozinha. Eu e as bananas que me ajudaram a conseguir o visto de entrada no Malawi. Lá vivi por mais seis meses, a maioria deles na zona rural, sendo a única mulher branca da vila. No Malawi codirigi o documentário “Presidente sob encomenda”. Foi assim que nasceu a Minibus Media, apaixonada pelo jornalismo, inconsequente, confiante!
Ainda me lembro do regresso à Moçambique, com a cara (de pau) e a coragem. Comprei as passagens e para lá fui coproduzir o documentário E a luta continua, sem dúvida uma das melhores reportagens que já fiz.
Ainda me lembro que em 2006 fui para Angola implementar o primeiro projeto de videoparticipativo da Minibus Media. O tema bem oportuno para o país: o registro eleitoral e, posteriormente, as eleições legislativas. Pela Minibus lá também treinei ativistas da ONG Adra e da Omunga e um dos cursos deu origem ao embrião para a brigada de jornalistas da Omunga, com a qual produzimos também o documentário “Não partam a minha casa”.
Ainda me lembro das minhas férias de 2009, quando pude voltar para Moçambique, fazer um safári na África do Sul e conhecer a Suazilândia.
Ainda me lembro – e até consigo sentir – o frio na barriga que me deu em todas essas empreitadas.
Hoje conto os dias para ir para Guiné-Bissau, onde viverei por pelo menos seis meses, trabalhando como voluntária das Nações Unidas em um projeto de acesso à justiça do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
Todas essas lembranças de África hoje me fazem ter a certeza de que sempre valerá a pena. Se já tive medo, temores e angústias, hoje tenho uma certeza: a decisão foi acertada, veio no momento correto para mim – e disso eu não tenho nenhuma dúvida.
Guiné-Bissau, me aguarde!
Ainda me lembro quando saí da reunião decidida: iria participar daquele programa de voluntariado. Pedi cem dólares emprestados para meu pai para me inscrever no programa, mesmo achando estranho e suspeito ter de pagar por tal programa. Mas tinha um feeling de que valeria a pena apostar.
Ainda me lembro daquele 23 de setembro de 2003, quando estava em Londres, a espera do avião que me levaria para Joanesburgo, na África do Sul. Era a primeira vez que seguiria para a África, para realizar um sonho de infância: conhecer a África dos africanos. De lá, segui direto para Beira, em Moçambique, primeira cidade africana onde vivi, e cuja história registrei um pouco aqui.
Ainda me lembro quando seis meses depois embarquei rumo ao Malawi, numa viagem de um dia, entre ônibus, caminhada, lotação. Sozinha. Eu e as bananas que me ajudaram a conseguir o visto de entrada no Malawi. Lá vivi por mais seis meses, a maioria deles na zona rural, sendo a única mulher branca da vila. No Malawi codirigi o documentário “Presidente sob encomenda”. Foi assim que nasceu a Minibus Media, apaixonada pelo jornalismo, inconsequente, confiante!
Ainda me lembro do regresso à Moçambique, com a cara (de pau) e a coragem. Comprei as passagens e para lá fui coproduzir o documentário E a luta continua, sem dúvida uma das melhores reportagens que já fiz.
Ainda me lembro que em 2006 fui para Angola implementar o primeiro projeto de videoparticipativo da Minibus Media. O tema bem oportuno para o país: o registro eleitoral e, posteriormente, as eleições legislativas. Pela Minibus lá também treinei ativistas da ONG Adra e da Omunga e um dos cursos deu origem ao embrião para a brigada de jornalistas da Omunga, com a qual produzimos também o documentário “Não partam a minha casa”.
Ainda me lembro das minhas férias de 2009, quando pude voltar para Moçambique, fazer um safári na África do Sul e conhecer a Suazilândia.
Ainda me lembro – e até consigo sentir – o frio na barriga que me deu em todas essas empreitadas.
Hoje conto os dias para ir para Guiné-Bissau, onde viverei por pelo menos seis meses, trabalhando como voluntária das Nações Unidas em um projeto de acesso à justiça do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
Todas essas lembranças de África hoje me fazem ter a certeza de que sempre valerá a pena. Se já tive medo, temores e angústias, hoje tenho uma certeza: a decisão foi acertada, veio no momento correto para mim – e disso eu não tenho nenhuma dúvida.
Guiné-Bissau, me aguarde!
terça-feira, 24 de agosto de 2010
United Nations Volunteer position in Guiné-Bissau
UNV Communications and Advocacy open position in Guinea-Bissau
http://www.unv.org/en/how-to-volunteer/special-recruitment/doc/unv-communications-and-advocacy.html
or www.unv.org
Application can be done only through UNV site: see TORs and instructions in the above mentioned link.
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domingo, 8 de agosto de 2010
Simplesmente Mart´nália
Eu deveria estar empacotando minhas coisas agora, já que estou mudando de Brasília para Bissau, em África. Aliás, nem contei aqui. Sim, voltarei para África.... Mas não resisti e tive que assistir ao DVD (show, documentário, roda de semba) Mart´nália em África ao vivo.
Mais uma vez Mart´nália dá um show! SENSACIONAL.
A música, as imagens, os depoimentos... Em Mart´nália tudo emociona. A paixão com que ela fala de África, com que ela canta a África... É uma aula de história, de cultura, de tradição.
Depois escrevo com mais calma. Só queria deixar o recado para caso alguém passe por aqui. É uma maneira deliciosa de se conhecer a África.
Espero que Mart´nália vá para Bissau! Pelo calendário dela, só se alguma obra do destino acontecer conseguirei assistí-la em Brasília na semana que vem.
Quando ela aderir ao Creative Commons, colocarei aqui trechos do DVD!
Mais uma vez Mart´nália dá um show! SENSACIONAL.
A música, as imagens, os depoimentos... Em Mart´nália tudo emociona. A paixão com que ela fala de África, com que ela canta a África... É uma aula de história, de cultura, de tradição.
Depois escrevo com mais calma. Só queria deixar o recado para caso alguém passe por aqui. É uma maneira deliciosa de se conhecer a África.
Espero que Mart´nália vá para Bissau! Pelo calendário dela, só se alguma obra do destino acontecer conseguirei assistí-la em Brasília na semana que vem.
Quando ela aderir ao Creative Commons, colocarei aqui trechos do DVD!
quinta-feira, 4 de março de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
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