Opa, estou a falar das eleições brasileiras.
Dos 108 eleitores registrados, apenas 49 compareceram. O resultado é o seguinte:
Marina: 22
Dilma: 18
Serra: 7
Plínio: 1
Nulo: 1
É a primeira vez que a eleição é eletrônica aqui. Muitos dos brasileiros que vieram votar não sabiam quem eram os candidatos, pois, principalmente para aqueles que vivem no interior do país, é praticamente impossível acessar a internet. Também foi a primeira vez que muitos votaram com urna eletrônica.
Sem conhecer ao certo os candidatos e muito menos a proposta deles, talvez a vitória da Marina seja reflexo dos votos da comunidade evangélica que vive aqui. Talvez. Isso é minha suposição.
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domingo, 3 de outubro de 2010
terça-feira, 1 de abril de 2008
Quando andar descalço vale a pena

O trecho abaixo foi escrito pelo escritor moçambicano Mia Couto, em 2005*. A foto acima foi tirada por H.-Christian Goertz em Lobito, Angola, em 2006, e a abaixo foi tira por mim, em Beira, Moçambique, em 2003. Mas a mensagem vale para todos nós, brasileiros, moçambicanos, angolanos:
"Temos que gostar de nós mesmos, temos que acreditar nas nossas capacidades. Mas esse apelo ao amor-próprio não pode ser fundado numa vaidade vazia, numa espécie de narcisismo fútil e sem fundamento. Alguns acreditam que vamos resgatar esse orgulho na visitação do passado. É verdade que é preciso sentir que temos raízes e que essas raízes nos honram. Mas a auto-estima não pode ser construída apenas de materiais do passado.
Na realidade, só existe um modo de nos valorizar: é pelo trabalho, pela obra que formos capazes de fazer. É preciso que saibamos aceitar esta condição sem complexos e sem vergonha: somos pobres. Ou melhor, fomos empobrecidos pela História. Mas nós fizemos parte dessa História, fomos também empobrecidos por nós próprios. A razão dos nossos actuais e futuros fracassos mora também dentro de nós.

Mas a força de superarmos a nossa condição histórica também reside dentro de nós. Saberemos como já soubemos antes conquistar certezas que somos produtores do nosso destino. Teremos mais e mais orgulho em sermos quem somos: moçambicanos construtores de um tempo e de um lugar onde nascemos todos os dias. É por isso que vale a pena aceitarmos descalçar não só os setes mas todos os sapatos que atrasam a nossa marcha colectiva. Porque a verdade é uma: antes vale andar descalço do que tropeçar com os sapatos dos outros."
*Trecho extraído do Vertical N° 781, 782 e 783, Março 2005
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