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domingo, 3 de outubro de 2010

Eleições encerradas na Guiné-Bissau

Opa, estou a falar das eleições brasileiras.
Dos 108 eleitores registrados, apenas 49 compareceram. O resultado é o seguinte:

Marina: 22
Dilma: 18
Serra: 7
Plínio: 1
Nulo: 1

É a primeira vez que a eleição é eletrônica aqui. Muitos dos brasileiros que vieram votar não sabiam quem eram os candidatos, pois, principalmente para aqueles que vivem no interior do país, é praticamente impossível acessar a internet. Também foi a primeira vez que muitos votaram com urna eletrônica.

Sem conhecer ao certo os candidatos e muito menos a proposta deles, talvez a vitória da Marina seja reflexo dos votos da comunidade evangélica que vive aqui. Talvez. Isso é minha suposição.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Tudo tranquilo na Baia-farta e em Benguela

Por Cecília da Costa e Dino Jimbi

Acontecem hoje dia 5 de Setembro as segundas Eleições Legislativas em todo o território angolano. Em Benguela, os brigadistas da Associação Omunga foram divididos em dois grupos, um que tem como área de jurisdição os Municípios da Baia-Farta e Benguela e o outro os Municípios do Bocoio e Lobito. A equipa de Cecília e Dino partiu as cinco horas e vinte minutos chegou lá por volta das seis e meia ao Bocoio que dista a setenta e cinco kilómetros do município do Lobito, a norte da província de Benguela, com uma população estimada em 163 mil 714 habitantes, dentre os quais constam 53 mil 832 eleitores. O mesmo município conta com 88 assembleias de voto e cada uma delas com quatro mesas de voto e por sua vez cada uma das mesas com capacidade de atender 250 eleitores.

Por volta das seis horas e trinta minutos os eleitores já tinham formado as filas na escola Rei Mandume, no Município do Bocoio para exercerem o seu dever cívico. A equipa das mesas esteve composta por um presidente, uma secretaria, dois escrutinadores, um polícia eleitoral, quatro delegados de listas representando os partidos politicos, e um observador nacional. O escrutínio começou as sete horas previsto em todo o país. Antes do escrutinio verificou-se as urnas na presença dos observadores nacionais que por sinal eram da Plataforma Eleitoral e de três delegados de lista representando o MPLA e um representando a UNITA, os outros partidos não se faziam presentes. Depois de confirmada o vazio das Urnas o presidente de mesa foi o primeiro a votar mas alegando que podia votar na outra mesa, e a seguir os outros elementos da equipa. Por ausência de mesas de voto móveis, os doentes hospitalizados tiveram que exercer o seu direito de voto nas mesas fixas acompanhados pelas enfermeiras e estes foram priorizados devido a sua condição de saúde, visto que alguns apresentavam uma grande debilidade física. Segundo o director do gabinete eleitoral daquele Município, Zacarias Mário Buengue de 37 anos, a ausência do pessoal responsável pela movimentação das urnas condicionou a falta de urnas móveis.
Os eleitores afluíram massivamente as filas e quando eram nove horas e trinta minutos já haviam exercido o seu voto, deixando as mesas sem eleitores. Trinta minutos depois no olhar atento da equipa em trabalho foi notória a chegada de duas carrinhas cheias de eleitores, segundo fontes oficiosas, alguns partidos políticos dispensaram meios de transportes para levar os seus eleitores aos locais de votação para exercerem o seu voto.

É também de realçar a entrevista cedida pelo director do gabinete Eleitoral daquele Município que segundo o mesmo, o material para a votação foi levado de helicóptero àquelas zonas onde transportes terrestres não chegam. Ainda na sua opinião até doze horas não havia se registado nenhum incidente, apenas receava que os boletins de voto não serem suficientes para todos os eleitores.

No período da tarde já de regresso ao Lobito observou-se um certo vazio de eleitores nas assembleias de voto em quase todo município mas acreditamos que nem toda população tinham exercido o seu dever cívico eleitoral.

*Cecília e Dino são brigadistas da Associação Omunga.

REINA A CALMA NO BOCOIO NO DIA DAS ELEIÇÕES

Por José Patrocínio

Quando eram cerca das 05H00 da manhã de hoje (hora local), uma equipe da associação OMUNGA constituída pelos brigadistas jornalistas Cecília e Dino e coordenada pelo Patrocínio saiu do Lobito em direcção ao Bocoio, na província de Benguela, em Angola. O objectivo era o de fazer a cobertura das eleições legislativas naquele município da província de Benguela. Localizada a cerca de 70 Km do Lobito, a sede municipal, outrora chamada por Vila Sousa Lara, localiza-se na via que liga o Lobito à cidade do Huambo.

Á medida que se subia o morro do Pundo, o nevoeiro envolvia-nos obrigando a uma viagem cautelosa. Ao longo da estrada iam-se desvendando escolas e outras infra-estruturas adaptadas em Assembleias de Voto. Ao seu redor, viam-se aglomerados de pessoas que ansiavam por exercer o seu direito de votar.

O Bocoio antigo produtor de sisal, é hoje bastante conhecido pelo ananás que abastece os mercados locais. Constituído por 5 comunas, tem uma população estimada em cerca de 123 700 habitantes.

De acordo às informações prestadas no local pelo Director do Gabinete Municipal Eleitoral do Bocoio, foram registados 53 832 eleitores. Foram ainda constituídas 88 Assembleias de Voto comportando um total de 261 Mesas de Voto.

Depois de contactado o Amos (membro da coordenação da Observação Eleitoral da Rede Provincial Eleitoral), contactámos o Gabinete Municipal Eleitoral local para informarmos da nossa presença e dos nossos objectivos

Partimos em seguida para a Assembleia de Voto N.º 09.13.003, onde aguardavam pacientemente eleitores pela hora de votarem. Eram essencialmente pessoas adultas e idosas e não se visualizava grande presença de jovens. As mulheres com os seus lenços mais vistosos e envoltas em seus panos novos, coloriam alegremente o ambiente. Elas eram ali a maioria. E assim também parecia em todas as assembleias pelas quais passámos.

O ambiente era de civismo, não se vendo qualquer agitação partidária nem a presença de forças militares e da polícia.

A Assembleia abriu às horas previstas (07H00) e deu-se prioridade aos idosos, mulheres grávidas e pessoas com necessidades especiais. Deram ainda prioridade às pessoas doentes que vieram do hospital que se localiza a alguns metros dali. Questionado o director do Gabinete Municipal Eleitoral, sobre o facto de não se ter deslocado ao hospital uma equipe móvel conforme estabelecido na lei, respondeu não haver razões concretas para o fazer.

As urnas brancas de tampo azul permitem verificar que estavam vazias e todo o pessoal estava presente, incluindo os observadores nacionais. É de se realçar que pela primeira vez na história de Angola, a sociedade civil participa de forma tão activa e directa num processo eleitoral. Começando nas acções de educação cívica eleitoral e passando pela observação de todo o processo eleitoral. Para o efeito, organizou-se um Observatório Eleitoral. A base de todo o sistema são os observadores que se responsabilizam por acompanhar todo o processo em determinada Assembleia de Voto. Existe ainda um supervisor municipal que visita todas as assembleias de voto onde se encontram os observadores e recebe deles as informações que partilha com a equipe de coordenação provincial ou directamente para Luanda

Enquanto estávamos por aquelas paragens, demos conta do receio de que não seja suficiente o número de boletins de voto. Esta preocupação foi também apresentada por observadores no Lobito o que nos transmite uma preocupação generalizada.

A partira das 10H00 todas as Assembleias estavam sem qualquer afluência de eleitores, deixando as equipes numa visível sonolência. Decidimos regressar.

De regresso ao Lobito, quando eram cerca do meio-dia, com o propósito de podermos divulgar rapidamente as nossas informações, deparámo-nos novamente com uma estrada vazia, sem qualquer movimento de viaturas, reflectindo-nos a ideia de que todos os angolanos dedicaram este dia à escolha do seu futuro.


* José Patrocínio é coordenador da ONG angolana Associação Omunga. Credencial da CNE para cobertura jornalística N.º 11004323