domingo, 18 de maio de 2008

"Não se pode falar de educação sem amor"

Hoje estava revendo algumas fotos que tirei em Moçambique. Tentei falar com as crianças do orfanato, mas já passam das 17h lá e ninguém atendeu a ligação. É lembrando das crianças que reproduzo aqui a frase de Paulo Freire, com a qual concordo plenamente:

"Não se pode falar de educação sem amor"

E continuo:
"Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade."
É claro que não sou intelectual e nem é preciso ser para brigar pela justiça social e se indignar com qualquer forma de assistencialismo. A educação pode, sim, e deve ser transformadora.

Ficam aqui imagens e lembranças de uma educação feita e recebida com amor, uma troca de experiências, de idéias e de lutas para o desenvolvimento.



quinta-feira, 15 de maio de 2008

Kuduru ou Kuduro ou Cuduro?

Bom, não sei como se escreve, se é kuduru ou kuduro. Só sei que é um ritmo musical angolano que, diga-se de passagem, ouvi mais em Moçambique do que em Angola. Também nunca consegui uma resposta convincente sobre o nome do ritmo. Mas aqui deixo minha teoria sobre o assunto: o nome é esse porque para dançar é preciso acompanhar as batidas com passos bem marcados, elevando e descendo um pouco as pernas, mas mantendo sempre o cu duro! Cu em Angola é sinônimo para bumbum. Enfim, teorias à parte, abaixo segue uma foto das crianças com as quais trabalhei em Beira, Moçambique, dançando kuduro. Quem embala o som é o DJ Timóteo Chipanela, meu amigo, gente boníssima que, naquele dia em março de 2004, fez a discotecagem de minha festa de despedida no orfanato. Simplesmente uma das melhores festas da minha vida.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Museu da Escravatura em Luanda


“Somos descendentes de escravos. Somos a prole de homens e mulheres com dignidade e honra, duma história rica e nobre, mas também somos os herdeiros de um passado doloroso de exploração. Eu não me envergonho disso. Envergonho-me, sim, daqueles que foram tão pecaminosos que nos fizeram escravos.”

A citação acima, de Martin Luther King Jr., datada de 1967,
dá as boas vindas ao visitante do Museu da Escravatura, em Luanda, Angola.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

As pérolas do SBT

Nem deveria perder tempo com isso. Mas não dá para não comentar. Na quinta-feira passada, lá vou eu de novo, tonta, assistir ao SBT Repórter. Afinal, seria um programa inteiro dedicado aos países de língua portuguesa. Eis que, mais uma vez, tenho uma tremenda decepção com o jornalismo da TV brasileira.

Primeiro, o programa foi mais do que superficial e tentou passar a imagem, a meu ver, de que nós brasileiros influenciamos todos esses países. Que somos amados, conhecidos, admirados pelos outros países de língua portuguesa. Bom, até pode ser verdade. Mas acho que faltou um mínimo de auto-crítica. Afinal, deve haver algum problema muito grave de educação e de informação no Brasil em relação aos outros países lusófonos. Porque se habitantes desses outros países sabem bem mais sobre o Brasil do que sabemos sobre eles, há alguma coisa errada por aí.

E isso, infelizmente, é tão verdadeiro que até o programa do SBT cai em erros primários. Estava na cara que eles requentaram o programa que já deve ter sido exibido há uns bons anos. Mas o pior é que não avisaram os telespectadores que continuam acreditando que o Timor-Leste ainda não é um país independente (pois é, o programa se referia ao Timor-Leste como um território da Indonésia), ignorou que Angola participou da Copa do Mundo pela primeira vez em 2006 (afinal, segundo o programa, os angolanos torceram para o Brasil na Copa. Deve ter sido nas Copas anteriores) e não mencionou em nenhum momento a influência de línguas nacionais de países africanos na própria língua portuguesa do Brasil. Se fosse me basear no programa, teria a impressão que apenas nós influenciamos os outros.

Enfim, mais uma vez o jornalismo do SBT representa um fiasco que só serve para perpetuar nossa ignorância em relação ao mundo lusófono.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Se tem tu, vai tu mesmo!

Linda, uma amiga islandesa, que trabalhou como voluntária no Malauí, estava de malas prontas. Ela ia passar férias no Quênia. Eu e Chris fomos acompanhá-la da vila onde morávamos em Yassini, no estado de Chiradzulu, no sul do Malauí, até Blantyre, capital econômica do país, onde ela pegaria o vôo até Nairobi.

Pois bem: Yassini não era tão longe de Blantyre. Dava cerca de uns 20km. Não era tão longe se tivéssemos carro. Como não era o caso, sempre dependíamos dos mini-ônibus. Tínhamos que pegar uma van até Limbe e depois outra até Blantyre. Se a van não quebrasse no meio do caminho ou se não acabava a gasolina, chegávamos em cerca de uma hora.

O problema é que as vans viviam lotadas e a mala de Linda era mesmo uma mala. Só estava atrapalhando. Veja só:


Aí, não deu pra escolher. Se tem tu, vai tu mesmo. E lá fui eu, Linda e Chris até Blantyre, sentados sob as espigas de milho da foto abaixo. Pelo menos o dono do carro deve ter feito sucesso com a pasta de milho ou a pamonha que deve ter sobrado na caçamba do carro! (dá uma olhada no canto direito da foto. Meu pezinho está lá. Eu era a próxima da fila a pagar o mico).

domingo, 4 de maio de 2008

Um angolano na Suécia I

Abaixo, transcrevo um email que Jesse, angolano, vídeo-jornalista cidadão e meu aluno (diga-se de passagem e com orgulho), me enviou. Ele e Edna estão na Suécia fazendo um treinamento em vídeo-participativo, como já contei aqui. O meu pedido foi o seguinte: conta como foi passar o Dia do Trabalho aí na Suécia.

Com a palavra, Jesse:
Sim, aqui houve muita coisa boa no dia Internacional do Trabalhador. A Suécia festejou diferente do que tenho visto em Angola ou em Benguela. Nesse dia, Angola apresenta empresas públicas ou privadas, mas aqui na Suécia manifestaram-se os estrangeiros redidentes e não só, mostrando o grande desagrado pela política actual a nível do mundo. Abodal (não sei escrever bem o nome dele, apenas sei que está condenado a prisão perpétua e é do paquistão), os seus apoiantes mostram o desagrado pela prisão que, segundo conversa que tive com um paquistanês, esse ano completa 9 anos. Houve protesto contra a secretária de Estado dos Estados Unidos da América, Condolezza, contra Bush, contra o primeiro ministro sueco e contra o partido da direita. Quase todos países da América Latina e da Ásia estavam representados. Lamento o facto que África não estava bem representada. Nas ruas podia-se comprar bandeira do Brasil, Colombia, Polonia, Bolívia, Cuba, Argentina e de tantos outros países europeus e americanos, mas nem um país África tinha sua bandeira na rua. Esqueceram do Berço da Humanidade. Estive lá, mas não tinha nenhum símbolo de Angola.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ativismo angolano pela paz

Acabo de receber o email abaixo com uma informação importante sobre a descarga de um navio chinês no porto de Luanda. Segundo a imprensa, o navio traria armamentos para o Zimbábue. Em tempo: hoje a Comissão Eleitoral do Zimbábue anunciou que haverá segundo turno nas eleições presidenciais do país. A votação aconteceu no dia 29 de março, mas os resultados, contestados pela oposição, foram divulgados apenas há algumas horas.

DECISÃO DO TRIBUNAL MARÍTIMO
O Tribunal Marítimo de Luanda proíbe a descarga de qualquer mercadoria do navio chinês destinada ao Zimbabwe e ordena o Porto de Luanda a fiscalizar toda a descarga. Autoriza também que a descarga seja verificada pela organização que promoveu a providência cautelar. O navio chegará à Luanda na próxima segunda feira, 5, e o Gabinete Jurídico do Porto de Luanda contactará o Conselho de Direitos Humanos da Sociedade Civil para acompanhar a descarga, constituindo fiscais.Provavelmente, pela primeira vez um Tribunal dentro dos prazos legais dá uma resposta a uma petição da sociedade. Passo importante para caminharmos para um verdadeiro estado de direito. Segundo a Voz da América um jurista angolano tentou contrariar a validade da providência cautelar, mas o Tribunal achou procedente tendo em vista o interesse social da causa.

Para saber mais sobre, clique aqui.