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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Assinatura de jornais

Ontem fui fazer a assinatura de alguns jornais locais. Não há jornal diário no país, apenas semanários que, diga-se de passagem, às vezes falham.
Mas, enfim, lá fui eu, pois sou brasileira e não desisto nunca.
Primeiro jornal: portas fechadas.
Segundo jornal: não consegui uma factura pro-forma. Motivo: não havia energia para imprimir. E eu na inocência: mas pode ser a mao. Resposta: nao tenho caneta!
Terceiro jornal: só amanhã de manhã.
Conclusão: comprei um rádio e começo minhas aulas de crioulo amanhã.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

DVD educativo sobre eleições é distribuído gratuitamente em Angola

Instituições engajadas em educação eleitoral podem ter acesso ao vídeo "Angola rumo às eleições legislativas"; interessados devem enviar email para dvdeleicoes@gmail.com

O vídeo educativo "Angola rumo às eleições legislativas" será distribuído gratuitamente para instituições angolanas que trabalham com educação eleitoral. O vídeo foi produzido durante um treinamento em vídeo-participativo coordenado pela consultoria Minibus Media para a brigada de jornalistas do Omunga. O objectivo principal do vídeo é trazer informações sobre o processo de democratização de Angola com foco nas próximas eleições legislativas. Em 20 minutos, o espectador pode tirar suas dúvidas sobre o voto, sobre a Assembleia Nacional, sobre o trabalhado da Comissão Nacional Eleitoral e sobre democracia. O vídeo está disponível em DVD em seis línguas: português, chokwe, umbundo, kimbundo, kikongo, kwanyama. Ele acompanha ainda um manual do facilitador que traz sugestões de actividades de sensibilização que podem ser desenvolvidas nas comunidades com base nos assuntos abordados. O projecto foi financiado pela Christian Aid, Cordaid, Trôcaire e Embaixada dos Países Baixos em Luanda. Instituições interessadas em obter uma ou mais cópias do DVD devem entrar em contacto pelo email dvdeleicoes@gmail.com.

Para a produção do vídeo, os brigadistas do Omunga entrevistaram representantes da Assembleia Nacional, da Comissão Nacional Eleitoral, membros da sociedade civil angolana e especialistas em democracia e eleições, além de cidadãos comuns. "Percebemos que as dúvidas das pessoas que entrevistamos na rua eram as mesmas que as nossas", diz Isabel Paulo, brigadista do Omunga. "É a primeira vez que muitos de nós angolanos podemos votar. Por isso, precisamos nos informar melhor para poder votar com consciência", diz o também brigadista Bernadino Jimbi. Para o brigadista Edson Cardoso, o processo de treinamento para a produção do vídeo foi além de suas expectativas: "aprendi não apenas sobre técnicas de vídeo e de jornalismo, mas também sobre o processo de democratização de meu próprio país", diz. As discussões sobre política também motivaram o brigadista Jesse Lufendo: "nós, jovens, precisamos refletir sobre as questões de governação para podermos pensar e participar da reconstrução de Angola."

Segundo o coordenador do Omunga, José Patrocínio, o objectivo do vídeo é motivar o debate sobre o processo eleitoral nas comunidades. É por isso que o vídeo foi traduzido do português para cinco línguas nacionais. "Todos têm direito à informação. Só assim podemos votar com consciência", diz Patrocínio. A jornalista Mirella Domenich, da Minibus Media, diz acreditar que um dos pontos fortes do vídeo é sua linguagem clara e acessível. "Como o vídeo foi produzido por jovens angolanos, temas complexos foram tratados de maneira que eles próprios entendessem", diz Domenich. "Esse é um dos elementos-chave na produção de um vídeo-participativo e na implementação do jornalismo cidadão", completa. H.-Christian Goertz, cinegrafista da Minibus Media. De acordo com Goertz, a maneira como as entrevistas foram gravadas e as imagens capturadas para a produção de "Angola rumo às eleições legislativas" aproximam o espectador dos temas abordados no vídeo. "A linguagem jovem tem o poder de cativar o espectador", diz, lembrando ainda que a trilha sonora do vídeo foi produzida por rappers do Movimento de Rua.

Para a jornalista Cristiane Vieira, da Minibus Media, que esteve pela primeira vez em Angola, é essencial que mais vídeos como esse sejam produzidos. "Percebi que há um abismo entre os que têm acesso à informação e os que não têm e que assuntos fundamentais para a construção democrática são ainda pouco debatidos por cidadãos angolanos", diz Vieira. Domenich ressalta que no estágio de desenvolvimento em que Angola se encontra, o jornalismo tem de ser antes de tudo educativo e participativo.

Para mais informações, visite www.minibusmedia-dvdeleicoes.org.

Para solicitar o DVD, envie email para dvdeleicoes@gmail.com.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

As pérolas do SBT

Nem deveria perder tempo com isso. Mas não dá para não comentar. Na quinta-feira passada, lá vou eu de novo, tonta, assistir ao SBT Repórter. Afinal, seria um programa inteiro dedicado aos países de língua portuguesa. Eis que, mais uma vez, tenho uma tremenda decepção com o jornalismo da TV brasileira.

Primeiro, o programa foi mais do que superficial e tentou passar a imagem, a meu ver, de que nós brasileiros influenciamos todos esses países. Que somos amados, conhecidos, admirados pelos outros países de língua portuguesa. Bom, até pode ser verdade. Mas acho que faltou um mínimo de auto-crítica. Afinal, deve haver algum problema muito grave de educação e de informação no Brasil em relação aos outros países lusófonos. Porque se habitantes desses outros países sabem bem mais sobre o Brasil do que sabemos sobre eles, há alguma coisa errada por aí.

E isso, infelizmente, é tão verdadeiro que até o programa do SBT cai em erros primários. Estava na cara que eles requentaram o programa que já deve ter sido exibido há uns bons anos. Mas o pior é que não avisaram os telespectadores que continuam acreditando que o Timor-Leste ainda não é um país independente (pois é, o programa se referia ao Timor-Leste como um território da Indonésia), ignorou que Angola participou da Copa do Mundo pela primeira vez em 2006 (afinal, segundo o programa, os angolanos torceram para o Brasil na Copa. Deve ter sido nas Copas anteriores) e não mencionou em nenhum momento a influência de línguas nacionais de países africanos na própria língua portuguesa do Brasil. Se fosse me basear no programa, teria a impressão que apenas nós influenciamos os outros.

Enfim, mais uma vez o jornalismo do SBT representa um fiasco que só serve para perpetuar nossa ignorância em relação ao mundo lusófono.