
Quem mexeu no meu queijo?
O nome é de um livro de auto-ajuda. A lembrança que ele me traz é da minha mãe. Não pela auto-ajuda, mas pelo queijo. Ela é, sem dúvida, uma das maiores devoradoras de queijos que conheço. Mas, enfim, aqui em Bissau ela sofreria muito. Falta queijo no país.
Na sexta-feira, fui à embaixada do Brasil e ouvi o seguinte diálogo:
- Ta faltando queijo no país, sabia?
- Sim. Parece que também não tem leite.
- Ah, é?
- É. E já teve dias que tentei comprar tomate e cebola e não encontrei.
- Hmm. O pior é que não é que não encontrou em um lugar e vai encontrar em outro. Não havia tomate nem cebola no país inteiro.
Como praticamente tudo é importado na Guiné-Bissau, tudo depende da chegada de containeres no porto, das condições climáticas para o desembarque do container, do pagamento de 150% em impostos sobre os produtos. Esse último dado não é oficial. Foi o que o pessoal do diálogo acima me disse. De qualquer forma, os preços das coisas aqui são exorbitantes e há pouquíssima variedade.
Adoraria perguntar agora “quem mexeu no meu queijo”, mas, realmente, não há queijo no país, só o da foto mesmo.
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Em tempo: Hoje vi um container sendo descarregado em um mercado. De longe avistei um melão. Não vi queijo, mas espero que esteja guardado lá no fundinho.
